quando deixar de ser um merda


Tem dias que amanhecem nublados, como escurece a visão por não enxergar mais que palmos adiante. Como na vida também escurece a percepção, deixando de ter sentido, de sentir, perdendo entendimento literal do que se passa. 

Viver entre altos e baixos, entre risos, entre êxtase de alegria e choro calado sozinho, quando baixa a imunidade, a coragem, a vontade e o saber das escolhas. Quando faltam palavras a definir ou explicar. Quando deixo de parecer um merda e passo então a ser um. Não peço pena, não peço que me entendam, não me cabe esse direito. Não me cabe o que causo ao mundo.

33

33 maneiras de ver o mundo, 33 anos tentando interpretar sentimentos, sensações e descobrir o que é vida. 33 x 33 e contando: dúvidas e certeza, lágrimas e risos, tristezs e alegrias. 33 anos e ainda me sinto jovem, de vida e vontade de buscar o melhor, ser uma pessoa melhor, me entregar de cabeça, ser alguém de amizade, amor, hamonia e felicidade. Agradeço a todo mundo que fez e faz parte da minha vida. 

aprendiz

Tantos em mim, faces, escolhas, gestos, inúmeras falhas, por onde vou e o que sou. O que posso ou poderei ser? Ângulos e interface, de dentro olho para fora. De fora tento jogar uma luz para ver dentro. Me perco achando que encontrei, depois caio na real. Sou só eu, que não consigo dividir em muitos. Sou muitos, que talvez não caibam num só eu. 

o poeta pede passagem

O poeta caminha em silêncio pelas ruas, dribla buracos como quem baila num salão. Cruza olhares e imagina histórias como gato emaranhando fios de lã, brincando, tecendo verdades paralelas, amores e colorindo de vidas em páginas não escritas. 

O poeta pede passagem, para enveredar por vias, veias, mentes e corações, corroer dissabores, colorir e perfumar os amores. O poeta paga passagem, tem na sua arte a moeda de troca, oferece seu coração em palavras escritas ou declamadas numa praça, debaixo de uma árvore florida. 

desandar

Deixa desandar a baixaria
que de samba o povo faz alegria
deixa destilar a cachaça

deixa prender o cabelo
no calor do corpo belo
deixa descabelar
o povo quer brincar

com o sol que arde
ou na chuva que brinda

seja pé no chão
seja sandália rasteira

deixa desandar a alegria
que na mistura de ritmo
se faz arte, se faz vida
deixa brincar
deixa sacanear
embaralhar pés e braços, abraços
deixa beijar
deixa abraçar
levantar a saia ao rodar
deixa deixar.

mil e uma

Mil lágrimas cairão, borrando a pele, lavando a alma, carregando boas e más lembranças. Mil em mil lágrimas pousarão, banhando o chão do que não lhe pertence. Um mar sob os pés, um mundo no qual se afogar, braçadas incertas em busca da superfície para respirar ou margem para escapar. Mil em mil, mil e uma, mil em uma. Mil vezes dizer e repetir, acertar e errar, mil escolhas e caminhos, mil formas de dizer o que não é óbvio, mil formas de esconder. Mil vezes mil. De tantas mil formas que não cabem em dedos, parecendo tantas quase impossíveis de contar, mas finitas. A cada mil bote mais mil, prolongue as chances e tente o impossível, mas tente. Mil formas de cair significam mil chances de levantar.

todos os textos felizes


Todos os textos são felizes, tristes, desabafos, desencontros, devaneios, brincadeiras, puro coração, são verdades ou brincadeira de mentir. Se eu disser que são verdade acredite. Se acusarem de mentira, eu minto dizendo que não. Eu brinco escrevendo. Se me tocam o coração, espero que toquem e me aproximem do que sou, me revelem. Todos os textos são vida, inteira ou parte, por capítulos fora de ordem cronológica.