faça você mesmo

Alguma coisa acontece, insegurança, cobrança, falta de eixo-centro-foco… identidade. Não temos mais identidade senão aquela que nos rotula, nos coloca mentirosamente no mundo. Somos feitos de inúmeras convenções, nas quais nos prendemos… das quais aceitamos, e por ora achamos que é o passaporte para termos a tão chamada cidadania.

“AA UU, eu como, eu durmo…” e o mundo gira. E um dos motivos de nosso planeta, e muitos outros, serem esféricos, é que o caminho não é sempre linear, não é sempre para frente. Caminho é para cá, é para lá, é para fora, é para dentro, é tão para frente quanto para trás. Eu não gosto, posso seguir outro rumo, mesmo que o vento sopre contra. Se só pudéssemos seguir a correnteza, o fluxo, a maré, o caminho “certo e para frente”, seríamos todos iguais, involuntariamente, invariavelmente, e ridiculamente cópias uns dos outros: mesma cor de pele, corte de cabelo, cor dos olhos, estatura, estrutura óssea, mesmo cérebro, pensamentos, personalidade, sentimentos. E o que é pior, as mesmas neuroses, crises, mesmas inseguranças, mesmas covardias, mesmos preconceitos (se é que é possível ter preconceito numa sociedade toda igual, mas não duvido), seriamos mais do mesmo, apensas números, apenas caldo de molho sem conteúdo, seríamos gota d’água em oceano.

Somos gerados e paridos sob pais e mães diferentes, em situações e culturas diferentes. Crescemos rodeados de valores e crenças, e isso molda muito da nossa personalidade e existência, e assim será até tomarmos nosso próprio rumo. Não que tomando nosso próprio rumo estaremos livre para termos efetivamente nossas opiniões, pois muitas das vezes estamos nos enganando achando que somos livres.

Dizem para fazermos um monte de coisas, para sermos, agirmos… Não precisamos de mais barreiras, muros, códigos, amarras, leis, regras. Precisamos de… NÓS MESMOS, nossa força, nossa coragem, nossa determinação, nossas diferenças, nossas crenças, nossa maneira de ser, seja qual for.

Me negar, me entregar, desistir, não vejo isso como pecado, como algo errado. Já escrevi sobre isso em outros posts, e é algo que carrego dentro de mim. Pecado, motivo para ter vergonha é quando nos negamos, nos privamos de nos negar, tolindo nossas próprias escolhas, diante do que julgamos ser senso comum, na cultura em que vivemos, na opinião de outras pessoas. Nos provamos, nos julgamos, nos tolimos, batizamos sobre nós preconceitos desnecessários, deixando de viver experiências pertinentes, apensas por cair no senso comum.

Façamos nós mesmos nossos caminhos, que sejam lineares, que sejam caóticos, que sejam belos, lúdicos, divertidos, duros, intensos, sombrios, puros… o que quer que sejam, nem precisamos estas muito certos deles, só se assim quisermos, mas que sejam nossos caminhos. Está aí um tapete estendido por onde podemos passar, caminhar, ou apenas seguir passos de outros. Façamos o que for necessário, cada qual da sua forma.

Eu quero experimentar mais, tentar viver mais e melhor, voltar a fazer coisas que já há tempos não posso me dedicar, quero poder relaxar, dormir em paz, me cobrar menos. Quero fazer com as mão, sentir, pegar matéria viva e transformá-la e não somente usar parâmetros em computadores-caixas-códigos, que limitam, ao mesmo tempo que agilizam, mas distanciam o processo intenso e visceral das coisas. “Faça você mesmo” é algo que quero sempre levar comigo.

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6 pensamentos sobre “faça você mesmo

  1. Este post foi muito importante pra mim. Estou prestes a passar o reveillon absolutamente sozinha numa praia. Talvez pq eu precise encontrar caminhos, seja quais forem eles. Eu sempre penso sobre essas questões existenciais. Até onde realmente escolhemos e até onde as opções são escassas e já dadas pelo mundo. O que eu quero ser x o que eu posso ser numa sociedade em que o diferente é tão julgado… A gente precisa procurar o equilíbrio entre o que nos pedem e o que queremos. No final das contas, a vida é tão curta… Tem gente que passa por uma vida vivendo de fragmentos escolhidos pelos outros… Tô procurando minhas escolhas, olhando pra cada uma delas pra ver se realmente me reconheço em alguma. Precisamos procurar sentido, não? Boa sorte para nós.

  2. Eu quero viver mais… brigar mais.. querer mais. Quero desenhar em duras tintas minha trajetória. Quero expor na ânsia das minha cumplicidades minha essência viva. Quero ser questionado, dilacerado e combatido. Quero ter a honra de levantar-me.

    Quero o que talvez nunca tenha.

    (Ih.. acho que isso dará um post meu… rsss)

    Abçs,

    Novo Dogma:
    tO be…

    dogMas…
    dos atos, fatos e mitos…

    http://do-gmas.blogspot.com/

  3. …Não precisamos de mais barreiras, muros, códigos, amarras, leis, regras. Precisamos de… NÓS MESMOS…

    Sim, sim e sim!

    Concordo com vc em tudo!

    Beijos de luz!

    P.S; Adoro te ler, aprendo muito com os teus textos.
    Obrigada!

  4. Eu acredito que esse caminho que cada um é capaz de traçar, que é único e singular, deve ser dirigido por nossos reais desejos. O desejo é de cada um, inédito. E o maior direito é fazer do desejo um ato bonito. No fundo, eu chamo isso de Respeito.

    =)
    Obrigada pelas palavras, pelos comentários.
    Teu espaço é essencial.

    Meu beijo.

  5. óia nóis de visita por aqui … hora de xeretar na casa do vizinho … rsss

    fazer o que se quer, que se deseja, o que se tem vontade … respeitar o espaço aéreo do vizinho, de preferência … e nunca deixar de acreditar que o horizonte pode ser mais amplo do que nossa visão permite enxergar … não vai resolver os problemas do mundo, mas ao menos será você …

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