diferença

[ Começar um texto por “hoje em dia…” seria, com certeza comum e muito chato. Então, para variar, vou começar logo contestando, desabafando. Já que me estressei hoje de novo, acho que ao menos tenho o direito a isso.

Há muito tempo já se fala em como as coisas caminham num ritmo alucinado, sem controle. Por dia somos bombardeados por centenas de estímulos visuais, sonoros, sem falar nos fedidos e mal tratados. Compre isso, pague aquilo, leve muito mais por muito menos, faça, seja, venha você também, o mundo na palma da sua mão… Você pode escolher quantas cores quiser – diferente da época do famoso Ford T em que se podia escolher tantas, contanto que fosse preto -, pode escolher sabores, sensações, prazeres, oportunidades, possibilidades mil. ]

(…) esse foi o começo de um texto que comecei a fazer há bastante tempo, em 2008 ainda. Mas recorrentemente, parece fraqueza, e talvez até seja, volto eu a me estressar, sabe-se lá com o que. Acho que nem estress é, é uma tristeza, desilusão. Sei lá, conversei um pouco com alguns amigos, me bateu uma dúvida sobre o andamento das coisas, a real necessidade de ainda estar em certos caminhos. Algumas coisas pararam de fazer sentido para mim, ou eu parei de acreditar no potencial de sentido que elas teriam, me desiludi, ou só agora percebi que tão empolgante e importante que são, estimulantes e que contribuam para crescimento profissional, elas são em parte vazias, são ocas de objetivo.

É a cobrança nossa de cada dia, de ter que fazer aquela presença ao longo do mês, de conferir se entrou dinheiro, de pagar as contas, de sobrar pouco e conviver com isso. Trabalhar deixou de ser estimulante, deixou de ser um sonho, uma coisa divertida e colorida, tem sido automático. Talvez o que me mantenha aqui sejam as pessoas, o fato de poder vê-las todos os dias, pois são amigos e tenho carinho por elas. As possibilidades se esgotam, se restringem. Contraditoriamente parece que quanto mais crescem, mais se restringem, mas se limitam, mais viram algo “mais do mesmo”. Mesmo tratando de criatividade, de novidade, o círculo vicioso sempre leva ao querer mais, ao buscar mais, ao fazer mais, melhor, a venda, a resultados, a pesquisas, estatísticas, comportamento de público, faixa-etária, classe social, comportamento etnográfico… AH!!! Estou cansado.

Tudo corre, trabalho e mais trabalhos, todos os dias, toda semana uma nova apresentação, discussão em grupo, conversas de bar, pesquisas, cobrança, … o dia-a-dia é passar o crachá na entrada e saída do trabalho e passar o crachá na catraca do curso, a barba por fazer a semanas. Prefiro muito mais as mãos sujas de tinta e cola, as feridas de agulha de costura, o expressar livre, espontâneo. Ô maldito mundo-cidade cinza, sem estímulos. Tudo corre, mesmo no trânsito parado, o céu chora, o tambor que toca seco e rítmico dentro do peito clama por mais irrigação de oxigênio.

Hoje eu queria muito ter sido e pensado diferente do que estou passando e vivendo. Queria dormir em paz, queria ser em paz, fazer a paz, fazer a diferença, para mim, para quem se importa e para com quem eu me importo.

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8 pensamentos sobre “diferença

  1. Acho que todos nós passamos por esse dilema. Se você está se sentindo frustrado, reflita bastante sobre esse seu momento. Pese os prós e contras. Torço para que você consiga achar a solução que tanto precisa.

    Abs!

  2. …Comecei a ler e lembrei de alguns dos meus textos o que me fez perceber que, de fato, o tema é recorrente. Tempo, autofagia, fístulas, abismos, crises existenciais.
    Assim, és normal e humano.
    O que vem me interessando nos ultimos tempos, Rogério é que parece que todos desejamos as mesmas coisas…
    A paz parece ser um desejo de grande maioria e em meio a isto os desejos particulares.
    Mas sabe, os absurdos são produzidos por nós.
    Talvez não por ti ou por mim ou por tantos que te frequentam e ao meu blog.
    Mas o Homem de modo geral se atribui as absurdidades.
    Das mais simples às mais vis.
    O importante é que precisamos nos manter vivos apesar da indignação e apesar da revolta.
    E nessa direção é mesmo bom que nos indignemos e revoltemos com o absurdo mas o maior de todos, Ro`gério, é o suicídio.
    A desistência de viver.

    Os escapismos são a grande ou talvez a pior chaga da humanidade.
    Olha, crises e estresse, são bah… Doloridas e angustiantes mas das menores dores…
    Há dores lancinantes, querido.
    Além de tudo, crescemos diante dos exercícios porque precisamos ir nos testando sem suicídios voluntários ou nem tanto.

    Bela a tua escrita mesmo nos desabafos.

    Carinho, sempre.

  3. Gente, valeu mesmo pela presença e pela força.
    Eu nem sabia mais se estava longe do blog por força da minha falha com administração do tempo ou por causa do descaso com minha própria mente, eu nem saber mais me dedicar a isso. Mas estava louco para voltar.
    Aqui estou, e em breve publico mais.

    Força sempre galera. Valeu, abraços.

  4. Eu deveria falar algo para você,mas direatamente seria conselho e sabe como conselhos funcionam ainda mais quando as pessoas não se conhecem mesmo e quando se é lunático como eu hehe!
    As estradas da vida tem s atalhos…(Ufa!),eu nos últimos dois meses passei pelos piores e mais estrahos momentos da minha vida e eu sei que exitirão infelizmente momentos assim denovo.As vezes temos como fugir…mas é tudo questão de paciência.Hoje você quer,amanhã tem duvida,ontem você era uma pessoa que certamente já não é hoje… pelas coisas que viu hoje…e assim é uma modificação constante.Agora não se estresse…

    Eu no caso..estava estressada…agora estou fazendo uma blusa.Adoro costurar =/ hum.. haha

    Fique bem aí! Bjo!=*

  5. Não adianta o que escrevemos revela, um pouco, do nosso estado de espírito e é tão singular aqui como em qualquer um blog que se visita. Compreendo sua ânsia pelo novo pq assim o vivi. Abandonei 8 anos de empresa por conta de objetivos maiores, pedi as contas e parti para outro estado deste imenso Brasil e mesmo que os planos de 6 meses atrás não se concretizaram e eu fiquei à ver navios… sem eira nem beira… eu não me arrependo. Precisava de outros ares, mesmo que estes sejam tão nublados e cinzentas como a magistral paulicéia… aqui vivo agora e aqui desenhos novos sonhos… viverei deles? Não saberia responder amigo, o que sei dizer é que mesmo em total desajuste, ainda assim, estou ajustado, consciente e vivo… vida que há pouco tempo nem sabia eu que existia.

    Grande Abç meu caro,

    Novo Dogma:
    pedRas…

    dogMas…
    dos atos, fatos e mitos…

    http://do-gmas.blogspot.com/

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