leitura completa

Fico muito feliz ao terminar de ler um livro. Mesmo sendo para mim uma tarefa árdua, que geralmente leva tempo, mas sempre acho muito gratificante completar uma leitura. Tarefa que me gerou certo trauma de infância, não um trauma, mas uma obrigação com a qual não concordava, pois acredito que leitura deve ser acompanhada de prazer, interesse e aprendizado.

Aproveitei mais uma sexta-feira à noite esperando a namorada sair do trabalho no CCBB para enfim, investir na leitura e terminar um ótimo livro. Para mim não poderia haver leitura melhor e mais apropriada ao momento atual. Meu momento de busca, de reflexão, de repensar minha posição, meu ser, meu lado profissional e meus ideais. Meu momento é de tentar me reencontrar, entre revoltas profissionais, aonde não mais concordo com posições na empresa e no curso, definitivamente cheguei a conclusão de que não me encaixo. E isso é ótimo. É bom saber que ainda posso respeitar meus ideais, que mesmo inserido num contexto com o qual não mais me sinto bem, eu consigo, na medida do possível, me manter íntegro, confiante da minha posição, e acredito muito mais em potencial, em valores que vão além do certo e errado, e além de mandos e desmandos e vontades e desejos pessoais (de outros), tento me manter firme, mesmo que para isso tenha que bater de frente.

O livro a que me refiro é “Sobre o artesanato intelectual e outros ensaios”, de C. Wright Mills. O autor analisa a sociedade e defende a não separação entre vida e trabalho, não sepração entre trabalho e lazer, falando sobre a pureza e ofício artesanal, sem entrar em detalhes ou coisas específicas, mas entra no estado comportamental e social. Analisa filosoficamente a sociedade, sociedade de consumo, e trata também sobre o ofício de pesquisa intelectual, metodologia e organização de pesquisa, tese e desenvolvimento de raciocínio. Pode parecer meio complexo, mas o autor trata tudo tão naturalmente que fica tudo muito claro. Para mim um achado. Recomendo.

A sociedade humana, em suma, deveria ser construída em torno do artesanato como a experiência central de um ser humano não alienado e a própria raiz do livre desenvolvimento humano. A maneira mais frutífera de definir o problema social é perguntar como semelhante sociedade pode ser construída. Pois o mais elevado ideal humano é: tornar-se um bom artesão. (Sobre o artesanato intelectual e outros ensaios, de C. Wright Mills)

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