quero ser…

Volta e meia me bate isso, esse sentimento de querer mudar, de me explorar, de sair e romper a barreira que o fóssil foi virando dentro da pele que teima em envelhecer. Ontem me deram 30 anos, e hoje me sinto pesado como quem deixou que se perdessem aí uns 5 a 7 anos desperdiçados em pouca construção levantada. Boas histórias sim, excelentes pessoas, excelentes experiências, mas o resultado parece me fugir do que hoje acredito que fosse o melhor para mim…

Final de semana um breve momento me emocionou, senti o quanto me perdi e não era mais uma criança, o quanto a inocência deu lugar a barba e cabelo grande, a marcas no corpo, a marca na mão se um surto de raiva, a olhares pesados, a expectativas frustradas. O simples fato de ver meu sobrinho correr, de voltar, depois de anos, a chutar uma bola… Coisa de criança a gente pode (e deveria) fazer sempre, a qualquer hora, mas deixamos que as coisas de adulto nos tomem as poucas horas do dia. Parece que quando somos crianças a vida é aproveitada mais e o tempo não custa e nem corre por passar, ele simplesmente dura o que for, seja pouco, seja muito, seja acompanhado de desenho animado com biscoitos ou passeios ao ar livre.

Eu quero mergulhar em tinta, me entorpecer no experimento, adentrar o casulo da criatividade e romper como uma enorme bolha de sabão que respinga por todos os lados ao estourar. O lado animal dentro de mim rosna, uiva para a lua que se esconde atrás de um sol que está posto há meses, queimando a retina, já meio difusa, obtusa, cega em certos pontos. O artista quer seguir seu caminho, meu eu interior quer correr em todas as direções ao mesmo tempo, por todos os caminhos ao mesmo tempo, o tempo todo até não aguentar mais, e depois não ligar se precisa ou não seguir, deixar acontecer. Não dá mais para conter apenas em madrugadas o ofício prazeroso. A vida ainda pode e deve ser preenchida em cores, formas, extinto, estilo, experimentação e experiências. Se assim não for, não sei mais como deve ser.

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5 pensamentos sobre “quero ser…

  1. Oi, Rogério, nosso lado ‘animal’ está latente, guardado e somos humanos – Racionais até que a emoção nos permita ou autorize as manifestações mais legítimas dessa pseudo animalidade que, para mim é tão somente Sermos Humanos e nos permitirmos experimentar de tudo com responsabilidade.

    Mudar é sempre bom, querido.

    Abraços,

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