mais uma noite (ou: a simplicidade da vida)

Um cisne de papel. Fez de novo: trouxe um leve brilho nos olhos. Olhos talvez um pouco cansados de tanta luz ou das paredes cor de hospital, ou dos mesmos rostos diariamente. Mas que encantam-se com rostos amigos que ficaram um tempo distantes, ou com novos rostos e carinhos de tanta gente atenciosa.

O brinquedinho de papel despertou tanto encanto que só a maturidade infantil da vida é que permite tal descoberta. E as mãos ora fortes ora frágeis giram, torcem e deixam cair, logo os olhos perseguem e a mão procura para recuperar o pequeno cisne tombado na cama. Tão bela cena, me emociono com o que vejo, e palavras nunca terão a proeza de descrever: a simplicidade da vida.

Vendo minha mãe aqui em estado tão frágil sinto um pouco o quanto temos que agradecer a cada dia por recebermos tantas coisas boas, pessoas boas. Meus olhos começam a ficar levemente molhados, eu que pouco choro nas situações realmente difíceis, mas sei que não consigo me segurar.

Como somos frágeis. E como somos fortes. E como minhas lágrimas querem acompanhar a chuva que começa a cair confortavelmente.

A vida é simples como nunca se poderá explicar.

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Um pensamento sobre “mais uma noite (ou: a simplicidade da vida)

  1. Sublime, meu amigo! É como se você fizesse um origami de palavras, dando forma aos seus sentimentos (que também são nossos) e toda a beleza disso coubesse na palma da mão… simples e profundamente sublime!
    Um grande abraço!!

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