pressa

Diante da falta de educação repousou suas mãos e braços cruzados segurando o jornal do dia e ficou ali de esquina a observar tolos egoístas e apressados com suas quatro rodas ocupando toda a pista e a faixa de pedestres inexistente, diante do sinal fechado.

Já naquela idade em que a vida não precisa mais apressar-se ao tempo, querer superá-lo, ultrapassá-lo nem mesmo enganá-lo, mas na pacífica convivência, amigável, plena e confortável para ambas as partes. O verde e o vermelho não passam de meras cores no sinal. Que boa a oportunidade de chegar ao passo de poder observar as cores sem que elas simbolicamente digam mensagens que já não nos digam respeito. São cores.

A vida torna-se então mais vida enquanto maduro for o convívio simples e pleno com aquilo que nos cerca. Sem neurose, sem se arrepender pelo tamanho da dose, sem overdose…

Aquele senhorzinho hoje pela manhã, parado na calçada observando, esperando a hora de montar sua bancadinha e vender seus produtos e serviço me passou essa serenidade. Às vezes o encontro no ônibus e salta sempre ali no mesmo ponto, espera a loja abrir e pendura sua bancadinha na grade. Talvez uma forma de sustento, talvez um assento cativo para observar o movimento do mundo. Vive quem se movimenta no movimento do mundo. Livre é quem sabe a hora de mover e de parar, de expor e explorar, de aprender e ensinar, de saber ou de questionar, de ser ou se desvendar…

~ ~ ~
Ouvindo: Forfun

~ ~ ~

Morada *

Faço de mim
Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria

Me cerco de boas intencões
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém
E com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim
Parte do segredo do universo
Junto à todas as outras coisas as quais
Admiro e converso

Preencho meu peito com luz
Alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir
Se encontram a paz e a calma

E sigo por aí viajante
Habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante
E com ele meus planos futuros
Pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

~ ~ ~
* “Morada“, de Forfun

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