cidade-vulcão

As artérias da cidade acesas
glóbulos, corpos, corpúsculos, minúsculos
fluxo de luzes e vida
vida de fluxos intensos
como lava, cor de fogo
fluido movimento urbano
se embrenhando emaranhado
se revelando acordado
caminhos sinuosos
curvas suaves, curvas fechadas
cortando serras, vales, planos
escavando túneis por dentro de morros

os algodões de nuvens em céu azul
logo dão lugar a noite que vem chegando
a Lua tão pertinho
o azul ficando escuro

a cidade tão linda acesa
imenso organismo vivo
o maraca, o trabalho, a serra
passei batido por minha casa sem conseguir vê-la
na noite que cai fica mais difícil

a festa dos barcos na baía
petroleiros, rebocadores e balsas
até mesmo plataformas de rico ouro negro
mais pareciam moradores do imenso azul
a saldar imitando e refletindo o brilho das estrelas
parecia reveillon, festa das luzes

o frio na barriga
da curva das asas cruzando o ar sem estrada
faz que vira, faz que engana
faz que encanta de aventura
faz que quase se derrama

eu com inocência infantil
parecendo mais com o garoto a minha frente
curioso e desconcertante  a perguntar ao pai
coisas que só criança pode perguntar e apreciar
e eu na janelinha a espiar e a sorrir
feliz por ver a tardinha que vai
o barquinho que vem
e o samba no avião nem desandou do compasso
nem caiu nas águas de agosto
caiu foi na graça de um coração um pouco poeta hoje.

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