sinal da cruz

Sentença de morte rezada todos os dias, antes, durante e após as refeições. Comendo da própria carne, carne fraca, francamente: engana-se quem acha que, alimentando-se como primitivos ancestrais, poderá ter um futuro pra chamar de seu.

Creio que ninguém goste de faca afiada rasgando o bucho, bala rápida de morte certa no meio da testa. Essa de morte rápida e indolor não cola, não rola, pois nenhuma morte passa despercebida. A saudade ou o impacto fica gravado na linha da vida do ecossistema. A lei da selva, a lei da sobrevivência é para quem vive, viveu na selva, para os que se enganam ou seguem um (pré)conceito ou as velhas regras que cegam os olhos em não querer questionar. Nossa selva é outra, somos animais de nós mesmos, achando que brigamos contra os caras de terno, donos do poder, só que a mesa vira, os moicanos e despojamento, engajamento, espontaneidade estão subvertendo o cenário, ou melhor, os cenários, podemos escolher. A violência é muito mais forte nas nossas mentes, nossos dilemas existenciais. Não mais o embate situação X revolução, polícia X ladrão, mais do que nunca é ação X reação, consciência X preguiça existencial, canibalismo passivo, ultrajante comodismo de aceitarmos as coisas como são.

O bem e o mal, a criação não foi feita para escoar entre goelas, sangrando suculenta entre dentes, esôfago, estômago, intestinos e aduba de infértil lixo expurgado fora do corpo sujo.

Não somos os únicos racionais. Na verdade perdemos a racionalidade ao não permitirmos a existência, a resistência a vida que outras espécies têm direito. Somos esquisitos, somos inumanos, imundos, egocêntricos e lixo, arrogantes e mesquinhos, burros e preconceituosos ao não aceitarmos a presença de outras tantas lindas espécieis. Não somos o topo da pirâmide enquanto resistirmos nesse esquema, nesse modelo de alta exploração do planeta, da carne animal, da indústria e cadeia produtiva que isso tudo gera, do impacto imundo, do remédio pra curar aquilo que a gula causa, da análise pra tentar curar a perfeição que não atingimos, da distância que nos reservamos em frente a TV sentados a mesa consumimos nossos amistosos amigos, criados para serem devorados, calçados e vestidos. O melhor amigo do homem é aquele que lhe enche a pança ou que lhe veste de pele rara e cara? O melhor amigo do homem é ele mesmo ou é seu próprio pior inimigo? A pele que nos cobre não é nossa, natural nem por direito.


Artigo bem legal na Revista Trip sobre o impacto de consumir carne: aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s