confesso

Confesso ser aquele a quem poucos podem chamar de amigo
aquele que pouco amou
mas na certeza de ser intensamente

confesso que aprendi tarde a gostar de tantas coisas que gosto tanto hoje
talvez tenha vivido isso bem pouco, menos que tanta gente

confesso que confessar não é meu forte
que meço, penso de mais que palavras dizer
e acabo soltando as que não não são tão certas, nas horas erradas

confesso ser de reticências
confesso bater portas
fechá-las
abrir janelas
fechá-las

confesso esquecer de regar as plantas
como confesso às vezes esquecer de regar as amizades

confesso que não sou família
não sou porto seguro
sou carioca
mas talvez mais clara do que gema
a pesar do amarelo que tanto me encanta
confesso as cores vivas
no meu cadarço, nos meus cintos ou nas roupas que visto

confesso ser de virgem
minha timidez não é solidão
apenas minha maneira particular de viver as coisas

confesso que tenho calos
que quando neles pisam eu solto o verbo
na nova ou velha ortografia
na explosão inconsequente de quem sabe que se arrependerá depois
confesso ser nervoso, carinhoso, forte e fraco, frágil
confesso ser inútil
confesso ser insuficiente
confesso odiar ser tão pouco às vezes
confesso que odeio odiar

confesso que erro muito
confesso que fico na dúvida se acertar é realmente certo
confesso que as dúvidas são sempre como certezas presentes

confesso que tudo que confessei pode estar erradamente certo.

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