magra dureza da vida

A vida então foi posta um pouco de lado, e lá ficou. Uma vez que se dá as costas, é quase a declaração confirmada de abandono. Drogas, família, relacionamento, emprego, amigos, qual a razão de negar tudo ou ser negado a isso? E deixou de comer, perdeu sua beleza, foi posta à mostra e exposta nos jornais, olhada com desprezo.

Magra, suja e abandonada, todos atravessavam a rua para não cruzar com ela, as crianças com medo achando que era bicho. A solidão do mundo lotado e poluído, ninguém mais estendendo a mão. Desaprendendo até a falar a língua normal. Mas a vida é também isso ai, mesmo que não pareça. 

É dura a vida da solidão, da companhia de uma caixa de papelão como abrigo, de trapos como coberta, de restos como comida. Pior que isso são os olhares, não só a desconfiança, mas o desprezo.

E sim, a sobra ainda sim é vida. 

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