galáxias


Somos seres humanos, mundanos, munidos de energia, matéria e um monte de coisas inexplicáveis. Somos forças e fraquezas, sujeitos a forças e vetores que nos prendem ao chão ou jogam aos quatro ventos. Rompemos continentes e movemos montanhas, repartimos e achamos que descobrimos a menor das menos partes que nos compõem, e saímos da esfera terrestre. Partimos rumo ao desconhecido universo da mente humana e seus segredos. 

Fomos atrás de sonhos e aprendemos o poder de acredirar. 

Somos pequenos perto da imensidão das galáxias. Nossa insignificante proporção é que nos torna tão importantes em significado. Ao mesmo tempo que somos compostos por moléculas e outras coisinhas tão nano que nem conseguimos medir, o universo é composto por milhares de seres, como eu, como você, como outras espécies e seres que talvez nunca iremos esbarrar pelo caminho, mas existem, coexistem. 

Não somos nada sem os menores e os maiores ao nosso lado e acima de nós. Como também a imensidão das galáxias não seria a mesma sem o brilho dos nossos olhos. 

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jogo

Dominamos o fogo
perdemos controle
aprendemos a controlar o fogo
perdemos controle

dominamos outras espécies
fomos surpreendidos por elas
impomos mais força e dominamos
perdemos controle

dominamos a terra
consumimos e exploramos
criamos recursos artificiais
perdemos controle

o coração não domina a mente
a mente não domina o coração
agimos sem razão
perdemos controle.

gaivotas

As gaivotas é que tem a vida dura
por precisarem o tempo todo de seus músculos em corpo leve
planando banhando-se em sol
mergulhando atrás de comida
na baía porcamente abandonada (e suja por nós!)

nossa vida humana que é fácil
de trânsito e passeatas contra injustiças políticas

nós criamos religiões
portanto somos maiores que elas
e mesmo assim a elas nos subjugamos fielmente
desculpas

nós mesmos criamos a intolerância religiosa, física, sexual, social, moral e espiritual
pré-conceitos

salários baixos, filas, hospitais lotados, doenças inventadas
royalties do petróleo e países falidos
tudo culpa de nós mesmos

isso sim que é muito fácil
pois são problemas que inventamos
quanto mais se cava, mais se tem
afundamos em nosso próprio campo minado de buracos

tomara que um dia possamos aprender com as gaivotas
a planar voos mais puros
e dificilmente sinceros.

árvores


Gosto das cores das árvores, das formas das árvores, do emaranhados de galhos, folhas, dos seus volumes. Gosto da beleza sutil, da beleza profusa, de como elas de misturam, na verdade quase se abraçam.

Acho tão bela a maneira da natureza de pesquisas cores, tons, e tantas variações inimagináveis. Surpreende-me como é rica, como fascina, encanta, conquista, como um convite ao arco-íris de possibilidades, aconchegante e leve. Adoro olhar os morros, montanhas e beiras de estradas e serras com tão rica flora e fauna. Cada curva de estrada dispensa por completo a palavra monotonia, pois cada centímetro revela novas formas. Me encanta ver tanto verde: verde bandeira, verde folha, oliva, amarelado, azulado, musgo, água…

Rebanhos lá no alto dos morros, tão íngremes que nem faço ideia de como foram parar lá. Cachorros andando livremente, cavalos, riachos, grama, flores, frutas nas beiras da estrada. Cercas frágeis, limites demarcados só por constar, parece que espécie humana não passa já há algum tempo por ali.

Que boa sensação, vento leve e fresco no rosto, cheiro natural, até os raios encontram brechas entre nuvens para apreciar a beleza aqui de baixo.

muda

Mudar semente
plantar mudança
semear mudança

de semente, broto, muda
florescer mudança.

~ ~ ~

Quando fincamos raízes na terra e acabam-se os nutrientes é chegada a hora de renovar, adubar, regar e dedicar um carinho e cuidado para poder voltar a desenvolver e colher novos frutos. Porque quando a terra seca de nutrientes é o limite e não há mais tanta opção, pois pode-se até prolongar um pouco um suspiro de vida só com água , mas é necessário preencher com matérias fértil.

Às vezes uma intervenção mais drástica faz-se necessária, de transplantar a muda, planta, árvore para outra terra com mais possibilidades e vida. Mas nem sempre isso é possível, dependendo da fragilidade da vida-flora, às vezes por ser fraca e não aguentar essa transição, ou às vezes por ser tão forte ao ponto de ter raízes profundas, fortes e profundas caracterizando uma sobrevida alternativa subterrânea.

~ ~ ~

Deixar as folhas caírem
os frutos abrirem naturalmente
com ajuda de pássaros e insetos
derramando sementes no solo

árvores que migram de posição ao deixar suas sementes espalharem descendentes por outros solos

árvores, plantas, flores e frutos de novos verdes, vermelhos, rosas, laranjas, azuis e violetas

espalham-se.

~ ~ ~
Ouvindo: Manacá

maravilhosa

Rio de Janeiro
cidade maravilhosa
purgatório, beleza e caos
quarenta graus
encanto em cada canto
encontro cada encanto
todos os tipos, tribos
culturas, nacionalidades e religiões
pedras portuguesas, calçadões
verdes lindas matas, florestas urbanas
altos e baixos
mistura de morro com praia.

caranquejo

Pés no alto da cabeça
cabeça nas nuvens

Pés nas pontas dos dedos
dedos surdos
mas tateiam enxergando quase tudo

Pés nas relvas corporais
de arrepiados pêlos
e porque não, mas não sabemos
esquisitos somos

Andamos de lado, sem rumo
andamos andamos… e andamos
andamos descalços e desnudos
andamos covardes e sujos

Andamos a vida
andamos breve
andamos surdos e mudos

Andamos sós
andamos mulas, andamos burros

Andamos na grama, na cama, no corpo, no samba
andamos sorrindo
andamos sisudos

Para o lado andamos, andamos pro alto e avante
para frente e para trás
andamos até não poder mais
mas quanto mais andamos percebemos
(percebemos?)
se não nos tocamos, mas há caminho longo pela frente

E para os lados, e por todo canto.

imagine

Imagine-se num floresta: folhas verdes, clima suave, agradável, vento nas folhas, som se pássaros e animais, o perfume da terra, grama, flores, frutos, a brisa e o encanto do clima natural. O ambiente envolvente, vivo, abraça, dá aconchego, carinho e cuidado, onde nos sentimos integrados, enraizados, braços são continuação de galhos e árvores, raízes são continuação de nossos corpos, flores e frutos com suas cores vivas, vibrantes, são reflexo de nossos corações e mentes, da natureza e pela natureza presente e parte da nossa existência.

Integração, equilíbrio, entrega, carinho, retorno, centramento, amor, crescimento são sentimentos cultivados na busca interna, a cura e a descoberta que parte sempre da consciência, do corpo, da mente, sempre de dentro para fora.

É o que venho sentindo e tentando trabalhar nas aulas de yoga. Tem sido tão refrescante, trazendo calma e um pouco mais de equilíbrio, controle, algo que estou precisando bastante. É uma busca constante, deve ser trabalhada com muita consciência, respeito e dedicação. Eu chego lá, assim espero, e tentarei.

> Ouvindo: Unidade Imaginária

chora

Tão seco, tão abafado, tenso e quente
… que a pele urbana rasga
o tecido dilata, contrai
pouca área de respiro, mas transpira um vapor quente

tão quente, vem de cima, de baixo, de dentro
o interno trasnborda, confunde com o externo
o sol e o calor castigam
a superfície está em estado crítico, atmosfera saturada

chora
que de lágrimas necessitamos todos
pra rogar ou pra benzer, por lamentar ou por comemorar
chora que é preciso refrescar

caem do céu esperanças em gotas
a pele urbana banha-se nessas lágrimas
a superfície nem está mais acostumada a absorver tanta água
mas é um alívio depois de tanto tempo.

aquecimento global, ficção ou realidade?

Apoiando a iniciativa e campanha Tic Tac Tic Tac, e o Dia de Ação dos Blogs, pesquei aqui um texto de 2007 do meu antigo blog, dando uma repaginada no conteúdo.

Dia 18 de novembro de 2007, uma edição do Fantástico apresentou uma matéria sobre cientistas que participaram de um documentário alegando que o aquecimento global é uma farsa. Durante a semana anterior foi publicada no Jornal do Brasil a divulgação da pesquisa e relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) sobre as condições do nosso planeta. Lá os cientistas mostram as consequências das mudanças radicais de temperatura. Segundo eles, a grande causadora do efeito estufa, e consequentemente do aquecimento global, é a grande emissão de gases, sendo o principal o gás carbônico. Eles defendem que os governos devem tomar posicionamento firme e imediato no estabelecimento e diminuição da emissão de gases.

Por incrível que pareça, são os governos que indicam cientistas renomados para integrar esse grupo de pesquisa. Mas na hora dos governantes receberem as informações e cumprirem sua parte, eles ignoram e se negam a tomar as decisões. Muitos países pediram que o texto do relatório fosse reformulado,  “suavizando” a culpa dos países nesse caos ambiental. Ou seja, pura incoerência, uma tentativa de menosprezar e de certa forma censurar a pesquisa, ou seja, manipular a divulgação de seus resultados.

Outra corrente de cientistas, do tal documentário, diz que essa história de aquecimento global é uma farsa, realmente defende e acredita nisso, ou seja, não acham que a mudança climática é tão grave quanto dizem, e que isso seja realmente consequência da emissão de gás carbônico. Pelos estudos desses, antes mesmo do “boom” da emissão de gazes, já era perceptível o aumento da temperatura do planeta, ou seja, não são os gazes responsáveis pelo aumento da temperatura. Ainda por cima dizem que é justamente ao contrário, ou seja, que o aumento da temperatura que é responsável pelo aumento da concentração de gazes nocivos.

Mas afinal de contas, o que é ou não verdade? Existe mídia e discussão defendendo ambos os lados. Qual a causa, qual o efeito real disso tudo não sabemos (ainda) – ou muitos não querem realmente explicar. Mas o que sabemos e o que sofremos são as consequências: sim, a temperatura está aumentando (ou baixando em determinadas regiões), florestas sumindo, geleiras descongelando, inundações, furacões, maremotos… isso é inegável.

Já está mais do que na hora de tomarmos consciência de que estamos num caminho que a princípio não está nos mostrando saída. Pode continuar aumentando 1 grau nos próximos 125 anos, ou pode aumentar 1 grau a cada ano! Cada vez mais estamos impedindo nosso planeta de respirar, tampando sua “pele” com estradas asfaltadas, um imenso tapete de petróleo quase impermeável. Deixa de existir mais terra e floresta, para ter mais asfalto, concreto, edificações, pessoas. Pessoas que não terão memória do que é pôr pés no chão. Estamos “encapando” nosso planeta, aos poucos nos destruindo. E isso tem que parar. Devemos pensar soluções para diminuir a emissão de poluentes, fazer uso e consumo consciente de bens duráveis ou não. Devemos fazer uso consciente de nós mesmos e do nosso planeta, pois é o que somos… para poder então poder sonhar com o amanhã.

Em 2007 já era crítica assim a situação. Hoje, entre “eco-chatos” e “eco-bags” (que às vezes não tem nada de eco), nosso consumismo desenfreado está nos matando. A cada pedaço de carne, desperdiçamos no processo de produção milhares de litros de água. Vale lembrar que não só as indústrias as vilãs da emissão de gazes, toda a cadeia, inclusive nós consumidores somos responsáveis. Até a agricultura, mesmo que não pareça, está nessa mira, pois o grande volume de água utilizado no planeta é mais da metade consumido aí. Vale lembrar ainda que o desperdício está em nossas torneiras jorrando à toa diariamente.

Os filmes de ação, que custam bilhões por produção, e que nós cínica e cegamente assistimos no cinema, hoje são a mais pura realidade, o mundo está esgotado, saturado de poluição, descaso e desrespeito. Estamos nos condenando. E não adianta buscar solução lá na Lua… Antes de tudo, falta educação e respeito.

Falando Nisso:

Hoje no Yahoo: “Avião movido a energia solar?” Busca de uma alternativa para avião que não produz poluentes.