seja


Seja a transformação, a cura, a razão, a pureza que você mesmo deseja, seja a bondade, a humanidade, o amor, a força. Seja e acredite. Gandhi tinha razão. Não adianta buscar isso no mundo, em pessoas, bens ou coisas, se não partir algo sincero dentro de si.

Já despertaram coisas muito boas e ruins em mim. Também acredito já ter ajudado a despertar coisas boas em outras pessoas. Percebi como ainda tenho muitos defeitos e o que melhorar. Mas não posso me diminuir e tenho que acreditar também nas minhas qualidades, não teria chegado até aqui sem elas. 

Seja a grandeza com humildade, o amor sem cobrança, a dedicação sem dor. Seja ajuda sem querer nada em troca. Pois virá naturalmente um mundo de coisas boas. Seja paz, e harmonia virá na medida e simplicidade certas. 

natureza humana

Independente de religião, crenças, de qual(ais) deus(es) você acredite, gostos, orientação sexual ou qualquer das variáveis, escolhas ou imposições da vida, somos puro fruto da natureza humana. Em essência nascemos de pais e mães, que podemos ou não conviver com eles parte ou a vida inteira, mas do ato de querer, de fazer, da gestação ao nascimento, e todo crescimento e evolução posterior, é natural de cada espécie, da física, química, genética e uma série de acontecimentos naturais do universo ao nosso redor.

Justificar a gratidão e um abraço por religião ou conhecimento teórico e técnico, ou mesmo justificar a agressão ou violência pelos mesmos fatores, não, isso não faz parte de nenhuma religião ensinar. São escolhas, sentimentos, desejos. São escolhas. Se escolhemos beijar, beijamos, se escolhemos levantar a voz ou a mão em ato agressivo, são atos que doem não só na outra face.

Vivemos em um mundo louco, expressivo, reprimido, intenso, acelerado, bonito, amoroso, mas também muito violento. Mais um atentado, sim mais um, e infelizmente é mais comum do que podemos suportar. Muitas pessoas morrem, outras tantas feridas, e muitas outras perdem chão, familiares e esperanças. Outros mesmo nas diversidades ainda lutam bravamente para fazer o mundo melhor.

Atentados terroristas não são missões de vidas, são escolhas erradas. São interpretações burras ou manipuladas, de mentes fracas, que já mataram dentro de si todas as esperanças.

Desejo, de coração, que tudo isso acabasse, que ninguém mais quisesse ferir ou destruir, e ninguém mais morresse nessas ações trágicas. Espero, e mando energias positivas, que nossa natureza humana fale mais alto, que humanos e outras espécies saibam contornar e fazer o universo e nossas vidas girarem e continuarem de forma linda e duradoura, com esperanças, amor e evolução mental, espiritual e tudo mais do que precisamos.

gaivotas

As gaivotas é que tem a vida dura
por precisarem o tempo todo de seus músculos em corpo leve
planando banhando-se em sol
mergulhando atrás de comida
na baía porcamente abandonada (e suja por nós!)

nossa vida humana que é fácil
de trânsito e passeatas contra injustiças políticas

nós criamos religiões
portanto somos maiores que elas
e mesmo assim a elas nos subjugamos fielmente
desculpas

nós mesmos criamos a intolerância religiosa, física, sexual, social, moral e espiritual
pré-conceitos

salários baixos, filas, hospitais lotados, doenças inventadas
royalties do petróleo e países falidos
tudo culpa de nós mesmos

isso sim que é muito fácil
pois são problemas que inventamos
quanto mais se cava, mais se tem
afundamos em nosso próprio campo minado de buracos

tomara que um dia possamos aprender com as gaivotas
a planar voos mais puros
e dificilmente sinceros.

naturalizando

Garras, presa, escamas
instinto de sobrevivência
guelras, traquéia, brônquios

pele, pêlo, penugem
casca, crosta
do ovo a pele
da melanina, albumina, escarlatina, gelatina

erupção, veneno, escárnio

camuflagem para cobrir, para esconder
para revelar, para dar o bote
olhar para hipnotizar e seduzir
dança do acasalamento
acasalamento sem dança
estupro, navalha na carte
sem dó final

natural natureza
animais somos
bichos, instinto selvagem
nossa selva é o dia-a-dia
somos fera e animal indefeso
tudo ao mesmo tempo
do topo a base da pirâmide
cadáveres, canibais de nós mesmos

naturebas, vegetarianos, carnívoros
hipócritas
camaleões, leões-marinhos
baleias
bicho-preguiça que somos
esquistossomose
esquisitos somos.

alcance

Alongar um pouco mais os braços, as pernas, esticar, conhecer um pouco mais os limites, esquecê-los e superá-los, ir além. Não se negar, nem condicionar o corpo a mensagens negativas, de “não poder”, “não conseguir”, pois tudo entra na mente no sentido de impor uma incapacidade assistida, uma preguiça ou aceitação daquilo que realmente não nos é natural. A mente não só coordena ou ajuda a coordenar, a mente também escuta, é coordenada, condicionada de acordo com aquilo que colocamos dentro dela.

Tentar ir um pouco mais além, ao meu ver e na minha crença e sentimento de busca e vivência diária, não pode ser apenas aquela busca compulsiva por apenas superar desafios e limites. Quanto mais tentarmos compulsivamente superar limites, quebrar recordes, romper barreiras, no puro sentido de uma ilusão ou mérito no sentido de orgulho, tentando provar algo a nós mesmo ou o que é pior, aos outros, estamos ao mesmo tempo nos afundando em limites invisíveis, nos prendendo a correntes, no meio de um círculo vicioso de apenas “superar desafios”, sempre e puramente somente isso. E onde fica então o sentido de tudo isso, o ideal, o real crescimento físico, mental, espiritual, onde fica a consciência e equilíbrio?

Tentar esticar mais um pouquinho, o corpo enferrujado sente, dói, mas prova que articulações, músculos e alguns ossinhos estão precisando de exercícios e lubrificação, e não é só vez ou outra que devemos lembras da existência deles, pois muito nos esquecemos. Alcançar a consciência é um exercício diário, físico, mas mental e muito espiritual, tudo aquilo que fazemos e como fazemos, sejam exercícios ou práticas, sejam palavras e gestos, ações, nos levam a um estado de compreendermos um pouquinho mais de nós mesmos, de nos percebermos diante do mundo e de outras pessoas e seres, uma relação mais harmônica com nosso ser e com o mundo, o universo.

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Ouvindo: The Black Crowes

árvores


Gosto das cores das árvores, das formas das árvores, do emaranhados de galhos, folhas, dos seus volumes. Gosto da beleza sutil, da beleza profusa, de como elas de misturam, na verdade quase se abraçam.

Acho tão bela a maneira da natureza de pesquisas cores, tons, e tantas variações inimagináveis. Surpreende-me como é rica, como fascina, encanta, conquista, como um convite ao arco-íris de possibilidades, aconchegante e leve. Adoro olhar os morros, montanhas e beiras de estradas e serras com tão rica flora e fauna. Cada curva de estrada dispensa por completo a palavra monotonia, pois cada centímetro revela novas formas. Me encanta ver tanto verde: verde bandeira, verde folha, oliva, amarelado, azulado, musgo, água…

Rebanhos lá no alto dos morros, tão íngremes que nem faço ideia de como foram parar lá. Cachorros andando livremente, cavalos, riachos, grama, flores, frutas nas beiras da estrada. Cercas frágeis, limites demarcados só por constar, parece que espécie humana não passa já há algum tempo por ali.

Que boa sensação, vento leve e fresco no rosto, cheiro natural, até os raios encontram brechas entre nuvens para apreciar a beleza aqui de baixo.