não está nos livros


Mas que nada! Não cabem nos livros de outros as nossas próprias histórias. De nada valem histórias escritas que não foram importantes de serem vividas. Boas ou ruins, todas histórias tem sua importância. E melhor que escrevê-las ou lê-las, é vivê-las. Não escreva sobre o que viveu, viva o que está escrevendo da sua própria existência. Não seja lembrança, seja um ser vivo.

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pintar um quadro novo


Se o horizonte nublou, se o cenário mudou, se caiu um pé d’água, se todos viraram-se contra você, se as contas chegaram, encare o céu, dê cor, pinte um quadro novo. Dê asas aos pés, ponha a sorte no bolso e confie mais nas suas escolhas. Se não tem mar, mergulhe no ar, na imaginação, com criatividade o cenário muda, com fé e sorriso o contexto ganha novos ares. Cantarole uma canção e ria de si mesmo se desafinar, sem vergonha de ser feliz. 

carregue consigo uma caixinha de amor


Sem arte a vida não é nada senão vida sem arte. Sem vida a arte não existiria. Com poesia a vida ganha mais cores, flores, texturas e sabores, mais encantos, risos, sorrisos e abraços. As ideias estão nos olhos: de quem vê e de quem se vê. Toque-se, toque o coração de alguém, vá sem medo. Mas se der medo, na boa, não esconda sentimentos, vá! Converse com um estranho, não o olhe estranho, entenda, mesmo sem conhecer, que ele é tão vida e tão bonito quanto você. Seja poesia, pois o mundo tem mais encantos do que a gente imagina. 

“um trem pras estrelas”


Numa noite nublada, saindo do buraco do metrô avisto a escuridão a cair no verão do Rio. Como passa rápida a vida! As horas contadas quando as luzes acendem e as lojas fecham, e as ruas quase nunca desertas que apenas fingem dormir. Toca Cazuza no rádio e me deparo com betume na grande tela do topo do mundo. Precisaria um trem bem forte para romper barreiras do peito ao céu buscando alcançar estrelas. Visível no centro de tudo reina uma meia lua dourada e linda. Não importam seus nomes, mais que isso me encanta sua beleza, os seus mitos de fases que são um mistério. Dois sorrisos, ou vários, e ganho meu dia. A vida é um roteiro ainda não escrito, que toma forma nas linhas tortas. Somos os astros, somos o tempo, somos enigmas, somos estrelas. 

estado de espírito


Poesia é como estado de espírito: às vezes você está no estado, às vezes está no espírito. Às vezes você escreve poesia, às vezes você faz poesia. É preciso sentir, algo que vem de dentro, ou algo de fora que te impulsiona a aventurar no emaranhado de sentimentos e palavras. É como ir a lugares ou revisitar os amigos, sempre novas experiências. Você pode ir ao mercado comprar um sonho, mas nunca poderá comprar um sonho de verdade. Não compre sonhos, conquiste os seus. Nada é fácil ou impossível de mais que não possa ser tentado. O que se espera ou deseja alcançar e conquistar. Longe nem sempre é uma questão só de distância, é às vezes onde você nunca foi. Onde você esteve ou para onde você vai sempre há chance de ser mais perto. A vida é como um livro: uns lêem, outros escrevem, poesia é uma das formar de viver. Não precisa saber ler para ler a vida, basta abrir os olhos da percepção e sentir o fluxo e o que a vida realmente é. Não precisa ser poeta pra escrever ou fazer poesia, basta se colocar ou aceitar um estado de espírito que te inspire a expor aquilo que sente. 

melhor para mim


Em vez de desejar te tocar para tentar alcançar o céu, vou desejar alcançar o céu para tentar me tocar. 

Não é por olhar como se fosse o centro do universo, pois é definitivamente o que não quero ser. Mas cansei de ver o universo se mover, e preciso também fazer de mim movimento, força e buscar centramento e razão. 

as cortinas da cidade


A cidade é cheia de olhares, pontos de vista, pontos de fuga, em meio ao caos a calmaria, no meio da paz a disparidade barulhenta de ruídos calorosamente tensos. A cidade não dorme porque as pessoas não param. Parei de usar relógio porque às vezes as horas não fazem sentido. Entre becos escondem-se segredos e perigos, revelam-se certezas, cultivam-se prazeres, roubam-se bens, corações ou beijos, dança a molecada, inventam-se novas brincadeiras. Portas e janelas, abrem-se ao mundo, formando mentes de intelecto observador, ávidos por mudanças de paradigmas, ou mesmo fraca gente que aceita passivamente cada sermão que a vida lhes dá. Estender uma mão é como abrir os olhos e enchergar uma nova cidade, cheia de suas cortinas, coloridas, opacas, com ou sem blecaute, que escondem ou que instigam a curiosidade. A cidade é muitas outras por trás de suas cortinas. 

45


Mem cinco minutos guardados, eternizados em auge de mais puro sentimento foram argumentos fortes para sustentar a identitade líquida dos seres. Palavras doces, recaídas, esperanças, negações, mais esperanças vazias, conselhos e broncas, tentativas de abrir os olhos entre as lágrimas. Cinco segundos para decidir, quarenta e cinco para se arrepender, seis horas de reflexão e conselhos musicais abafados egoisticamente nos ouvidos. O que é (e o que nunca foi) amor nos dias de hoje? Como pessoas que escorrem pelos dedos, sentimentos negados, escolhas tomadas. O juiz também deixou o apito de lado e foi jogar, a vida segue correndo e ninguém quer perder. Tenho orgulho por ter tentado, sincero em mim, no meu ser. Nas lágrimas me fortaleço, pois lavo minha alma.