mais gavetas do que mentes abertas

Há um certo ar de ironia na vida, quando em meios e tempos contemporâneos, de acesso a tudo, liberdade sobre tudo, ainda somos contraídos em herméticos pensamentos. Em que há sempre mentes vazias, mentes fechadas, mentes sofridas, pessoas na esquiva, energia perdida, frustrações, esforços em vão. Mais fácil fecharem as portas, as janelas, dizer um não, aceitar um não, do que ouvir boas opiniões. Se “de boas intenções o inferno está cheio”, então de boas ideias as gavetas também estão. 

De teias de aranhas temos que tecer uma trama de ramificadas possibilidades. Não uma armadilha, mas uma bela, positiva e sutil fuga ao infinito. Abrir as gavetas e botar as ideias em prática. Abrir a mente e botar a vida em prática. 

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galáxias


Somos seres humanos, mundanos, munidos de energia, matéria e um monte de coisas inexplicáveis. Somos forças e fraquezas, sujeitos a forças e vetores que nos prendem ao chão ou jogam aos quatro ventos. Rompemos continentes e movemos montanhas, repartimos e achamos que descobrimos a menor das menos partes que nos compõem, e saímos da esfera terrestre. Partimos rumo ao desconhecido universo da mente humana e seus segredos. 

Fomos atrás de sonhos e aprendemos o poder de acredirar. 

Somos pequenos perto da imensidão das galáxias. Nossa insignificante proporção é que nos torna tão importantes em significado. Ao mesmo tempo que somos compostos por moléculas e outras coisinhas tão nano que nem conseguimos medir, o universo é composto por milhares de seres, como eu, como você, como outras espécies e seres que talvez nunca iremos esbarrar pelo caminho, mas existem, coexistem. 

Não somos nada sem os menores e os maiores ao nosso lado e acima de nós. Como também a imensidão das galáxias não seria a mesma sem o brilho dos nossos olhos. 

porto seguro

Quando só me restarem dúvidas, farei delas o maior impulso na busca de afirmar o que sou e o que sinto. Se as certezas estiverem abaladas, ao menos em mim terei algum porto seguro, a quem recorrer, consultar e reler aquela sinceridade de criança.

Posso oferecer o melhor que tenho, o melhor que sou, meus sentimentos mais puros, meu olhar e timidez, meu carinho e companheirismo. Mesmo as mãos trêmulas de medo pelo que vier a encarar, podem ao se fechar, agarrando uma a outra, ganhar força e coragem. Minhas mãos e palavras não pagam contas, não mudam opiniões, mas minha presença pode ajudar a ser um escudo contra a sociedade e as babaquices do mundo.

Desejo te segurar pela mão, olhar nos olhos e dizer “vamos juntos”.

Não tenho medo das opiniões alheias, pois contratempos e ignorância, intolerância sempre existirão. Meu medo mora em não poder viver o que mais quero.

Se o mundo ruir, mesmo assim eu ficarei. Se todos forem contra, mesmo assim acreditarei. Chegando meu momento e vou brilhar, seguindo meu rumo, refletindo brilho das energias boas à minha volta.

Vamos brilhar juntos, nós que acreditamos na liberdade. “Vamos viver tudo que há pra viver, nos permitir”, acreditando que qualquer dificuldade no caminho é pequena diante das conquistas que tivemos e ainda poderemos alcançar.

verso

Viro verso, parte, não estrofe, nem refrão, nada suficiente para poesia inteira. Olho o verso, viro do avesso, viro ao contrário, olho dentro, procuro a bula ou instruções. Nada!

Nado e nada de achar praia, porto seguro não parece me pertencer. Então não acho bom me seguir.

Verso uma vida incerta, trilhando dúvidas, compondo coleção de incertezas. Falta espaço nas prateleiras para tantos volumes. Quebrei sonhos e regras, não sou soneto. Esvaziei as páginas, estão em branco, aos cadernos pela frente, sem lógica, sem perspectivas. Perdi ritmo, rima, cadência, não sou poesia. Versos soltos não fazem poema. Escorrem pelos dedos a poética e a lírica, ideologias em dúvida, me restou idealizar, mas nem sempre isso é certo.

Não sei se o lado de fora é o verso ou o avesso. Não sei se o de dentro está exposto. Se sou verso, não completo, não lido.

dedos e anéis

Vão e vem os dedos, movem, mexem, afagam e afastam, apontam e reprimem, deduram e chamam, desrespeitam, tocam a ferida ou a comprimem estancando sangramento, espalham tinha e cores, movem até montanhas. Cheio de dedos, de manias, de não me toque, metendo dedo onde não é chamado.

Delicados, dedicados, dedilhados, safados, ousados, intrometidos, metidos, arriscados. Dedo no olho, dedo do meio, dedo no … não! Dedos que brincam e dedos que curam.

Anéis não tem sentimento, tem apenas aquilo que é depositado sobre eles: a intenção, a benção, o sentimento que vem da intenção e não do material.

São os anéis que se vão, pois os dedos, esses e seus toques é que importam, eles que ficam.

Os anéis simbolizam, os dedos são.
Os anéis são matéria, os dedos emoção.
Os anéis prendem, os dedos se soltam.
Os anéis são o sim, os dedos podem ser o que quiserem.

A sintonia fina, o primeiro contato superficial ou já bem íntimo, a agressão ou o carinho, a salvação. O toque suave, teclar uma mensagem de amor, digitar fantasias, materializar arte e sonhos. São meio e instrumento, ferramentas transformadoras, os dedos.

 

parece sexta-feira

Virou o dia, ainda é meio de semana, mas parece sexta-feira, tem cara e clima de sexta. Um fim, algo que fica no ar, algo que ainda falta, aquela inexplicável sensação que se o tempo voou, também parou, bloqueado em uma estação que não sintoniza.

Abro os olhos, tento abrir janelas, expor feridas, abrir o peito e o coração, pensar nas possibilidades, e vejo dias e dias passados misturando nostalgia e expectativas, esperanças e planos, confusão e promessas. O chão instável, parece brincar de bêbado e equilibrista. Não adianta assentar o pé, pois é só peso e não firmeza.

Não adianta escrever a própria poesia, pois muitos outros poetas de verdade tentaram entender ou explicar.

Não se faz curva no tempo. Não se pode enganar o destino. Não se sustenta sentimento na dúvida. Não se deve querer tocar o que não existe.

Mas é possível administrar bem e aproveitar o tempo. É possível fazer o destino ser aquilo que conduzimos a partir de sonhos e desejos, e principalmente esforço e dedicação. Com amadurecimento e entendimento é possível fortalecer os sentimentos, quando são puros. E o que não existe, bem, é possível fazer existir, se não puder tocar, sinta.

Parece sexta, mas ainda é quarta-feira. Não terminou, não é o meio, mas é mais um começo. E porque não abrir novas janelas?

caminho

Caminhos abertos, mar meio arisco, busca de um porto seguro. Quantas aventuras esbarro durante a busca daquilo que nem sei mais. Quantos erros mascarados de acertos, certezas inseguras, explicações duvidosas, tantas escolhas racionais e emocionais, se misturando e me confundindo.

Vontade de deitar num cantinho, como um gato encolhido. Do nada acordar, sair sem dar satisfação, sem ligar para o nundo.

As pedras não estão pelo caminho, são nas nossas escolhas que esbarramos ou que nos fazem voltar ou seguir em frente.

bem longe

Olho o horizonte dentro de mim. E de lá pra tão longe um infinito particular, um obscuro incerto, ou um sol brilhando raios de pura harmonia.

Alegre, insano, criança ou ilusão, uma poética corda bamba de incertezas.

Momentos…
De parar, perceber, refletir, descer do salto e voltar.
Baixar a bola que vem mais.
Levantar a cabeça pra seguir fazendo acontecer.

Calma…
Que ainda há muito que aprender, viver, sofrer e sorrir.
Humildade para aceitar, assimilar e respeitar.
Sinceridade pra abraçar o puro “eu” interior.

Bem longe, mais perto do que penso, ao alcance dos dedos, fora do alcance do coração, a mente viaja e chega antes, às vezes não volta. Mais utópico do que sonhar é viver. Expectativas são difíceis de lidar, complexas de entender, difíceis de decifrar, quase impossíveis de controlar.

Quando a mente sente e o coração quer agir com razão, sabe-se lá o que governa o próprio ser, senão a mágica que nenhum mágico revela os segredos. Segredos, que existem ou não, fazem parte da fantasia de viver.

Bem longe sei que existe algo: um destino, um caminho, uma decepção ou algo mais puro que busco. Não sei dizer e não posso prometer encurtar o mapa, pois não há como cortar caminhos da vida.

Às vezes me distancio, mas sei que mesmo bem longe de mim, ainda sou eu mesmo.
Às vezes me aproximo, mas sei que mesmo bem perto de mim, ainda sou dúvida de mim mesmo.