reverberar

Reverberando entre caixas altas e baixas, palavras perdem sentido, letras perdem caminhos entre linhas, sem objetivo. Mesmo que sigam uma direção, é somente mais um dos vetores que compõem um movimento, e movimento nem sempre é explicável ou algo que valha se parar para analisar, nem que seja friamente, depende sempre do referencial.

Letras em novas fôrmas, mas essas não são mais rígidas e pesadas, a forma já não segue mais a função ou representação simplificada de formas e objetos reais, já não ganham corpo como antes, hoje já não passam mais o registro e memória de outrora, alguns até parecem acompanhar e incorporar a gordura da sociedade de consumo, alimentando-se nos fast foods, em cidades cheias de letreiros, painéis e neons à fora.

Ponto, ponto, ponto. Cada sinal gráfico vibra na superfície estática, estética asséptica, mas não imune às ondas tensas que cercam nosso contexto. Reverberam foscas ou brilhantes, esvaídas ou cintilantes, espelham nossa cara de pau diante dos fracassos. As palavras não sabem dizer o que a mente não é capaz de deduzir por si só. A atitude vai da consciência, da mente, coração, do ato, … e não da ferramenta ou instrumento. www, a grande arte de dizer e dizer, e dizer que não dizer, e no fim nada dizer, de nada, e é tão óbvio, e é tão banal, e é tão constante quanto a vida vazia que levamos viralizando links nos micro-blogs da esfera virtual, nosso novo lar, aonde podemos nos encontrar no tanto que nos perdemos. Essa sim, uma superfície luminosa, mas nem sempre iluminada, é assepticamente suja e contaminada, de alguns valores vazios, de conceitos inacabados, de transformações, transgressões, transmutações, de sexos trocados, de falta de sexo, de falta de caráter, moral, falta de amor, de surgimento de novos amores, de recortar e encurtar distâncias ou de enxertar ainda mais distância, informações inválidas, informações trocadas, essa página expirou.

Cada signo gráfico vibra, na cabeça, na ponta do instrumento, na superfície escrita e até mesmo na superfície vazia. Espaçam-se valores, escondem-se rancores, recolhem-se amores. E a vida, que sempre brotou a cada germinar no verde, a cada gota de chuva caída do céu que chora oras de felicidade, oras de tristeza, lá está, firme e confiante, enquanto houver esperança. Cada signo, cada letra, cada parte desse todo, que às vezes nem em conjunto parece fazer sentido se perde ao ponto de não ter mais ponto, pontuação, sem ter barreira, limite, em uma busca ininterrupta, incoerente, inconsequente, insana, por alcançar algo que nem sabemos o que é, e a fase cresce, o sentido se perde, a agonia aumenta, a tensão aumenta, o desespero aumenta, os olhos não se cabem em piscar, o abismo parece cada vez mais próximo, uma mão, duas mão, centenas de corpos e mão atolando-se fazem pressão para abrir a porta do vagão que desemboca nesse abismo tenso do grito do povo de que é devoto ou não de santos, mas que tenta se agarrar em forçar para sentir mais do que só o vento no rosto, o vento seco, o sol ardendo e lá em baixo tão distante, tão profundo, o caminho se abrir, sabe-se lá para onde vai dar, e o relógio acelerado, como mil corações batendo no peito que não se cabe em si e … silêncio. (ponto final) … Desemboca novamente no nosso próprio e pequeno eu, que será cultivado em valores, palavras, gestos, signos, amores, que terá nova chance, de fazer, de se perder ou se achar, de escolher.

estressados anônimos – dia 1

Venho deixar meu testemunho do primeiro dia de novas atitudes para tentar mudar meu comportamento.

Depois desses dias me estressando tanto, muito triste, para baixo (como exposto um pouco nos posts anteriores), resolvi que era hora de tomar alguma atitude para repensar minha situação. Compreendi que não poderia mais continuar assim, me rebaixando, me estressndo, me aborrecendo, cultivando o pessimismo à minha volta, me prejudicando, isso tudo é muito ruím, e gruda, acumula. Então coloquei na cabeça que hoje tentaria não me estressar, não me aborrecer. Ou melhor, tentaria rir um pouco mais, curtir um pouco mais, me preocupar menos, mas sem forçar a barra ou ficar na cabeça com “hoje não posso me estressar”, pois isso iria criar uma meta e compromisso que talvez se tornasse uma coisa obsessiva, e não iria adiantar de nada, viraria outro problema.

Passei uma manhã tranquila, levando o trabalho (mesmo que pouco tivesse para fazer), fiquei escutando muita música, procurando e relembrando coisas curiosas e divertidas, procurando conhecer coisas que já despertavam minha curiosidade. Acho que foi uma sessão musical das mais variadas e divertidas que já parei para ouvir, e foi muito, muito bom. Sorri mais, brinquei mais, curti mais, e pouco me importei com coisas pequenas. Nada estava realmente sendo uma grande farpa ou cisco nos olhos que pudesse me tirar do sério. Tentei me preocupar menos e isso funcionou bem.

Só agora de noite, que um momento de cair a ficha e mostrar serviço fez me aborrecer um pouco. Mas como já havia passado um dia quase inteiro de relativa paz, acabei deixando que um pouco de explosão fluísse, acho que foi necessário. Infelizmente foi necessário, mas bate um arrependimento, uma coisa que não é legal. Enfim, explodi, me contive um pouco, o necessário, mas explodi também um pouco. Confesso que chutei uma porta de elevador e num desespero interno coloquei a cabeça pra fora da janela e soltei um grito-eu-não que precisava se libertar, precisava aliviar.

Mas mesmo com essa recaída no final, e com o cansaço enorme que sinto no momento, sinto que foi um dia mais positivo, que o saldo foi bom. Me fez ver que é possível, me fez voltar a acreditar.

Agradeço muito a quem veio, leu e comentou, que têm me dado força. Agradeço minha namorada e amigos. Agradeço por existir música, por existir alegria, por existir essa energia positiva que pode nos preencher quando precisamos.

Valeu, vou experimentar isso nos próximos dias. =)

palavras e caixas

Quantas palavras cabem em caixas pequenas? Quantas caixas são necessárias para abrigar todas as palavras que habitam uma mente?

Hermeticamente fechadas, oras nem ao menos abrem as janelas da alma para deixar fluir frescor para humanizar seu interior. Escancaradamente abertas, sem fundos falsos, sem armadilhas, permitindo transparência e acesso claro ao conteúdo, seja informação, vivência, conhecimento ou sentimento. Nossas caixas habilitam ora módulos, ora grandes setores abertos a inúmeras possibilidades de diagramação de palavras e conteúdo.

Quantas vozes se expressam e quantas se calam enquanto o relógio-mundo gira entorno de algo maior que não é meramente o astro-rei, é a grandiosa existência e percepção, seja humana, seja animal, seja orgânica, seja natural. As órbitas, as esferas rompem as barreiras das simples caixas cranianas humanas, são o cruzamento lúdico de universos infinitamente impossíveis, neurais, viscerais, guiados intuitivamente. Guiados? Vividos? Fluidez existencial.

A caixa é muito maior, e podemos explorar e extrapolar seus limites. As pequenas cabem mais do que podemos ver, basta imaginar. Nós cabemos ou nós contemos?

Quantas caixas cabem em meras palavras?