dia de cama


Tem dia que não dá vontade de sair da cama. Não é preguiça nem encosto, mas algo de dentro dizendo que o dia lá fora não será tão convidativo. Não deu outra… O tempo nublado, o frio e a chuva me confortam, como um cobertor de água que me acolhe. Mas a sintonia hoje com o mundo não desceu legal, não bateu bem. Como água fria para despertar na marra e um tapa na cara para cair a ficha da realidade. Hoje não fui bom, mas um dia que não fui bem, não fui boa companhia. Preferível que não tivesse posto os pés fora de casa. 

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paredes desbotadas

Como se já não bastassem serem retas
altas ao ponto de não se poder alcançar e tocar o teto
desbotaram-se sem graça
foi-se a cor afeminada
a cor pastel feita especialmente e única
restaram manchas que se camuflam
e se misturam a rachaduras

furadeira e brocas revelam cor de terra dentro delas
terra dura, empilhada, escalando alto
tijolos escondidos atrás de camadas
poeira, fuligem que se revela
pairam no ar até repousar no chão, em cada canto
brocas, buchas, parafusos, pregos
estacas agarradas às duras superfícies cor de nada
prontas para receberem, em molduras, novas cores
temas absurdos, figurativos, abstratos
artes e experimentos
paredes florescendo-se em novas cores vivas
sobe arte, sobe cor, encanta-me o meu espaço decorado
improvisadamente divertido e lúdico.

arrumando a casa

Tem horas que é preciso dar uma sacudida, balançar e levantar aquela poeira, tirar bagunça de um lado, passar para outro, apagar algumas coisas, guardar melhor outras, para poder dar aquela respirada, fazer uma baita de uma arrumação e sentir tudo mais leve e acessível. Confesso que sou meio chatinho, já fui mais organizado, me perco um pouco nas minhas bagunças, mas quando posso, paro tudo e me dedico a tirar algumas horas ou um dia pra me achar, na minha cabeça, no meu quarto, no trabalho.

Sexta-feira ou final de semana, por incrível que pareça, proporciona um pouco isso. Semana acabando (estou no trabalho no momento) e aproveitei que deu um probleminha no computador, para rever pastas e fazer backups. Poxa, e quanta pasta, arquivo, quanto lixo, quanto tudo, bom e ruim, rs. Mas muita coisa legal aparece, surpresas, redescobertas.

É uma higiene mental, um pouco de apego e ao mesmo tempo desprendimento, guardar o que interessa e jogar fora o que já passou do tempo de validade (ou de paciência). É bom, nem precisa ser muito neurótico, só dedicar um tempinho, uns poucos minutos que sejam, meia horinha, nem precisa terminar tudo agora, afinal o dia de amanhã a cabeça pode querer funcionar diferente e aí… sabe-se lá como será a faxina, rs.

Sei lá, fico um pouco mais leve. =)

sobre paredes e roooock

Soa em meus ouvidos, no momento, o som vibrante de Autoramas, rápido, intenso, na velocidade e vivacidade simples e inexplicavelmente complexa, como brincadeira de criança. É festa, baile ou show, é sincero, é do Rio, da Ilha, de Brasília, de plástico, couro, tarrachas, de topete, dancinha e rebolado… é roooock. E é bom! Bom degustar e reencontrar, reconhecer, redescobrir, novamente estimular e curtir. Ficaram lindos os novos arranjos, recomendo. Portas abertas, alma limpa, lavada, brilho nos olhos, não preciso dizer mais nada, apenas a mais sincera felicidade recai sobre mim neste momento, se pudesse registrar e fotografar, acho que veria minha alma brilhando e sorrindo.

~   ~   ~

As paredes do meu quarto ganharam pequenas cruzes grafite e azuis e círculos vermelhos, marcações para intervenções futuras. Parecem muros metralhados, que em contrapartida, não se mancharão de sangue, mas receberão flores, poéticas e líricas, cores e expressões. Não se enriquecerão de ouro, mas de outras e maiores riquezas, de valor inestimável, serão escaladas por arte, sincera, pura, bela e experimental. Não temerei ser engolido, pois ambiente hostil nunca será, as paredes parecerão gigantes que tenderão altas rumo ao infinito, reluzindo cor e vida.

~   ~   ~

> Ouvindo: Autoramas (mais aqui, aqui e aqui)

buscar novos horizontes

Ampliar horizontes, possibilidades, chances. Conhecer mais, experimentar, ir além. Botar uma mochila nas costas, cheia de sonhos, cheia de fotos e recados de quem gostamos, cheia de inspiração e cores. Carregar no peito o entusiasmo e amor que darão a coragem necessária para encarar cada gesto, palavra ou reação como possibilidades de construir um novo caminho, que não é linear, que não precisa ser lógico ou previsível, mas que será baseado em bons valores e que levará aonde quisermos ir.

Um novo lar, uma forma mais participativa de ver as coisas, a forma pessoal, a construção da vida a dois. Penso, quero, sinto que preciso, desejo, ter nosso próprio cantinho, nossa morada, nosso ninho, nosso pequeno mundo físico, mas um mundo enorme e repleto, grande em amor e vontade.

Não importa o andar, não importa de que sejam feitas suas paredes, nem quantos degraus precisaremos subir. Não importa a quantidade de esforço, nós tentaremos! Mas o que importa mesmo é o caminho até lá, pois quero alimentá-lo com esse nosso entusiasmo, que sei que o resultado final terá nossa cara, nossas cores, nossa expressão.

Amor, quero ter com você, quero ser com você, quero viver, morar, ser feliz. Buscar habitarmos o nosso lar, dentro de nós mesmos, construir nosso, um horizonte único.

coisas no lugar

Retirar o excesso, repaginar, arrumar, realocar, reposicionar, organizar. Meu dia hoje foi dedicado a organizar a bagunça-mundo do meu pequeno espaço-quarto.

Quantos papéis soltos, quanta poeira entranhada, quantas coisas inacabadas, outras esquecidas e tantas outras desncessárias. A pesar de chegar ao final do dia com dor nas costas, um enorme cansaço, a sensação de que parte da sujeira não saiu completamente, mas foi super positivo o saldo dessa aventura. Sim, porque não poderia ser diferente, foi uma aventura, tirar tudo de cima da mesa, da cama, do chão, espalhar tudo pelo chão, separar e agrupar coisas que deveriam estar juntas, mas que estavam em pólos equidistantes, separados por oceanos de papéis, nossa! Separar o que pode-se jogar fora, o que pode-se reciclar, colocar cada coisa no seu lugar, agora tenho uma prateleira só para arrumar minha pequena produção de sketchbooks, posso até ver meus DVDs organizados, quanta felicidade (!!!), as contas no lugar, as revistas e livros ficarão juntos… Mas ainda não acabei, rsrs… falta pouco, mas a revolução hoje fez-se necessária e veio em boa hora.

Melhor que a faxina geral, é a limpeza mental que isso proporciona. Final de ano, tempo de renovação, então aproveitei que estou de recesso para dar uma geral.

Fiquei esses dias todos longe da internet, mal entrei para ver e-mails, por isso o blog ficou parado, estava doido para voltar, ler e acompanhar o que as pessoas estão publicando. Aproveitei esses dias também para produzir meus cadernos, entregando as primeiras encomendas, e fiquei com minha namorada, cuidando dela, que estava precisando.

É isso, estou voltando. Mas com esses dias de festas, talvez não consiga voltar com tanta frequência, mas tentarei.

Se não voltar, agradeço por tudo, a todos, e desejo a todos um excelente final de ano, feliz natal e que o próximo seja um ano excelente e cheio de conquistas. =)

quero voltar para casa

Grita dentro de mim um pedido agonizante de socorro
tão abafado e profundo que parece se distanciar
tantas vozes na cabeça que não vão se calar

Algum lugar fora de órbita
algum tormento sem explicação

Quero voltar para casa
onde posso me aconchegar
onde não preciso mais me preocupar

Alguma órbita para navegar
sem ser previsível nem me deixar levar

Preciso explorar o meu próprio eu
para conseguir me reencontrar
e compreender aonde o grito quer me levar.