pro dia nascer feliz


O passado dependia de um futuro que almejávamos. O futuro a chance de viver o que o passado não pôde ser. 

A chuva que cai me alegra e me acolhe em um sorriso de criança que brinca de imaginar na tela branca e cinza do céu. Mas a mesma água que atrapalha o horizonte como uma barreira úmida, também ajuda a lavar os olhos para enxergar. 

dia de cama


Tem dia que não dá vontade de sair da cama. Não é preguiça nem encosto, mas algo de dentro dizendo que o dia lá fora não será tão convidativo. Não deu outra… O tempo nublado, o frio e a chuva me confortam, como um cobertor de água que me acolhe. Mas a sintonia hoje com o mundo não desceu legal, não bateu bem. Como água fria para despertar na marra e um tapa na cara para cair a ficha da realidade. Hoje não fui bom, mas um dia que não fui bem, não fui boa companhia. Preferível que não tivesse posto os pés fora de casa. 

nublado

Dias de céu aberto. Dias de céu encoberto. Mente nublada, confusa. As dúvidas tão densas que gotejam lágrimas. Momentos de sorrir e comemorar ter energia e força em estar vivo. Momentos de pensar “que merda que estou fazendo?”

Previsão de instabilidade emocional. Atemporal em fase que teima em não migrar para longe.

Então contrariando a recomendação, saí sem guarda-chuva. Se confirmar a regra, então pode ser que molhe um pouco, que regue a vida, lave a alma. Que de mente nublada já basta!

(23/8/2015)

* * *

“chuva”

Hoje a mente acordou bêbada de sono, pois foi dormir em tristeza. Acordou em contas, responsabilidades, louça e bagunça. E saí na chuva, para energizar e recarregar. Mas a tristeza não sai tão fácil assim do corpo. É preciso coragem, preciso mudar, preciso querer.

(8/9/2015)

deslocado

Não lido, não compreendido por mim mesmo
deslocado, a parte, distante, mudo
mundo muda o tempo todo
mundo não importa tanto
universo interno é uma grande incógnita
desafeto, desconexo, torto
caiu no chão a canção alegre de hoje (ontem)
o lirismo das gotas leves de chuva repousando sobre a Lagoa
pétalas de arco-íris surgem ao abrir a porta
abelhinhas artesãs
até um fogão vermelho e uma porta branca sem cor, rotos, desfalecem pouco caso na calçada
calçadas essas, da Sul, cheias de lixo
histórias esquecidas, novas histórias
estranho ao meu redor
até o cachorro amigo é de papelão
não posso deixar para trás, mais um corpo estendido no chão
pouco de mim, que seja
não deixarei virar nada apenas.

~ ~ ~
Ouvindo: Som da Rua

deixa chuva

Deixa chuva chover,
a água molhar a rua
o chão borrar os pés

a barra da calça encharcando de baixo para cima
a chuva no sentido inimaginavelmente reverso

respingos no rosto, óculos enbaçados
olhos molhados, não de lágrimas

passeio de biscicleta, escorregadia mas não importa
e pingos serelepes saltando das rodas
sujando sempre a parte de trás da camiseta

ah, a chuva, a água
pé descalça no chão assim é tão bom.

chora

Tão seco, tão abafado, tenso e quente
… que a pele urbana rasga
o tecido dilata, contrai
pouca área de respiro, mas transpira um vapor quente

tão quente, vem de cima, de baixo, de dentro
o interno trasnborda, confunde com o externo
o sol e o calor castigam
a superfície está em estado crítico, atmosfera saturada

chora
que de lágrimas necessitamos todos
pra rogar ou pra benzer, por lamentar ou por comemorar
chora que é preciso refrescar

caem do céu esperanças em gotas
a pele urbana banha-se nessas lágrimas
a superfície nem está mais acostumada a absorver tanta água
mas é um alívio depois de tanto tempo.