as cortinas da cidade


A cidade é cheia de olhares, pontos de vista, pontos de fuga, em meio ao caos a calmaria, no meio da paz a disparidade barulhenta de ruídos calorosamente tensos. A cidade não dorme porque as pessoas não param. Parei de usar relógio porque às vezes as horas não fazem sentido. Entre becos escondem-se segredos e perigos, revelam-se certezas, cultivam-se prazeres, roubam-se bens, corações ou beijos, dança a molecada, inventam-se novas brincadeiras. Portas e janelas, abrem-se ao mundo, formando mentes de intelecto observador, ávidos por mudanças de paradigmas, ou mesmo fraca gente que aceita passivamente cada sermão que a vida lhes dá. Estender uma mão é como abrir os olhos e enchergar uma nova cidade, cheia de suas cortinas, coloridas, opacas, com ou sem blecaute, que escondem ou que instigam a curiosidade. A cidade é muitas outras por trás de suas cortinas. 

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Rio de Janeiro

Adoro o shortinho das moças
a bossa das ruas
o perfume das possibilidades
o cheiro dos livros, as capas
os causos e piadas
não gosto do sarcasmo
mas admiro a malandragem
a irreverência que a gente boa tem

do Baixo Méier ao Baixo Gávea
todo mundo meio alto

adoro o caos e as misturas
o paladar das comidas
até quando o trânsito pára para observar a cidade

o tempero que a mão boa tem
as várias cores de pele
adoro o Jóquei Clube iluminado

as corridas na Lagoa
a volta pra casa em noite de chuva

o Rio é uma cidade em muitas
cada um tem a sua
adoro morar em várias cidades sem ter que sair de uma.