eu erro

Cansado dos xingamentos, do calor das pessoas e do calor da cidade.
As vidas lotadas de falta de sentido e as dúvidas.
A vida é um ônibus? De passagem? Ou dê passagem?
Cansado de ter que escolher e não saber por onde começar.
Não entendo porque tanto rivotril ou dorflex, enquanto as pessoas nem sequer bebem água direito, ou de boa qualidade.
Escadas para subir, barrancos por cair.
Andadores artificiais, preguiça até de chamar o elevador.
As obras que nunca acabam, e as necessidades básicas nunca sanadas.
Furar fila, entras no ônibus sem pagar, pular a roleta ou entrar pela janela.
Quando lembrar de dar bom dia já é quase hora de ir embora.
Cansado dos tiros, da falsa segurança, cansado do medo.
Pessoas cheias de razão, cheias de si.
Virar a cara para o próximo, não ter a mão generosa, e ainda ser pedinte mal agradecido.
Cartazes nas ruas que não dizem nada.
Pessoas que não conversam com livros.
Digitalização da banalidade.
Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais, eles erram.
Eu era, eles eram…

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vinte centavos…

… é o que pareço valer, em um contexto que não parece prestar, sem perspectivas, profuso em vazio.

Livre para aceitar ordens absurdas e ouvir barbaridades de estranhos com suas ilusões de poder. Crianças velhas brincando de fantoches, mas o mais radical que sabem fazer é apertar botões ou assinar papéis de dispensa.

Desfilando suas roupas moderninhas em corpos e mentes vazias, ou seus gadgets, que não falam nada que faça sentido, que não se importam e não se envolvem. Pessoas imateriais. Materiais que moldam nossos hábitos.

Salários que não pagam caráter. Caráter tão baixo que nenhum salário há de passar perto de salvá-los.

Ah, vinte centavos! Tão melhores que tudo isso. Daria um mundo por vinte centavos, e vinte centavos de volta para salvar o mundo.

Parece que tudo que sou e faço soa vulgar, ofensivo, errado, fora do lugar. Reclamar de mais, desabafar de mais, socando facas, caminhando no limite do abismo, brincando com o inimigo, cutucando o perigo. Talvez me pareça ser inconsequentemente correto agir fora do padrão. Talvez incoerente seja continuar essa palhaçada!

E eles dizem sempre algo sobre “pensar fora da caixa”, me parece mais que se trata de pensar fora da realidade, pensar que pensam, só pelo fato ou pela diversão em si, e só isso, mais nada, só para mover-se diferente. Me soa tão mais do mesmo, tão clichê, tão babaca. Os ditos populares antigos eram bem mais sábios, criativos e motivadores, hoje os contemporâneos são datadamente descartáveis, como tecnologia e sua obsolescência programada.

Vinte centavos, vinte e tantos anos, beirando os trinta. E tomara que os próximos sejam mais ricos e verdadeiros que braços biônicos e criogenia humana. Pessoas sem sal, cérebros sem corpos, corpos vulgarizados. Pós-morte de bilhões de dólares, vidas que se perdem num estupro por migalhas e centavos manchados.

É isso mesmo que queremos? Eu não!

pé na porta e soco na cara

Pior que se arrepender de algo que tenha feito, é não se arrepender mas aturar a situação de que alguém te coloca uma pulga atrás da orelha por causa da situação. Isso é um saco!

Tenho uma certa dificuldade em me dar com situações das quais não ache justas para todos os envolvidos. De certa forma tenho sim uma dificuldade com autoridade. Se alguém gosta de dar ordens, eu gosto de desobedecê-las! Simplesmente porque não é através de ordens, de alguém numa posição superior, ativa, que se constrói um convívio saudável. Aquela história de que quando um fala o outro abaixa a orelha pode ter dado certo em alguns contextos, outra época, para algumas pessoas. Mas não, não é algo saudável. Sou explosivo, então não me dê motivos para estragar meu dia.

~ ~ ~

Não existe rua sem saída. Sempre há uma escolha a ser tomada, que pode levar a muitos caminhos. Rua sem saída é aquela em que você nunca poderá entrar. Se não consegue entrar, então nem precisa se preocupar em como sair. Se quer sair, basta abrir os olhos, dar um giro de cabeça, de corpo, dar uma vista geral do real panorama e enxergar as brechas.

As placas indicam caminhos, elas podem dar ordens, diretrizes, limitações. Cabe a nós sabermos se devemos ou não aceitar sem questionar. Um código cultural, social ou seja lá de que tipo for, não está lá por acaso, foi construído de acordo com um senso comum, ou se tornou um senso comum após imposição ou anos de osmose, recebendo estímulos diariamente. Placas são erguidas e derrubadas todos os dias. Até mesmo as placas mentem ou apresentam informações desencontradas, por isso um pouco de instinto pode falar mais alto, sentimento puro com certeza tem toda sua importância.

poder: 140 caracteres ou 7 bilhões de consciências?

#ForaDaniel

Agora para tirar o corpo (e o corpúsculo) fora, o tal do Daniel (figura tão íntima do público, através da tela da BBB TV, mais íntimo ainda Monique Bolinada) diz que broxou. Fato é, se broxou não entrou, então melhor assumir a “falha” que assumir a falha. Ou melhor assumir a falta do que assumir a falha? Falha, falta ou pênalti o fato é que o modelão não marcou o gol, ou foi um gol de bola tão murcha de meia que a bolinada nem sentiu. Ou será que ela é mais uma dessas com duas ou mais cavidades entre as pernas, de tão aberta que não sente mais volumes? Perder o tato é algo muito preocupante.

Fato é que a TV Coronelista Imperialista Ditadora Globo de Futebol e Regatas (ou também conhecida como Grêmio Recreativo Escola de Samba Globo – vulgo Globeleza; ou Rede Globo de Televisão) é completamente tendenciosa e manipuladora. Não é o BBB que é um laboratório, é do lado de cá da poltrona (fora das telinhas) que está o verdadeiro laboratório e campo de testes dessa megalomaníaca corporação. Ela é sempre a politicamente correta, é sempre a menina dos olhos. A do governo quando lhe interessa ou da oposição quando lhe convém interesse. Às vezes fico tentando descobrir se realmente Brasília é um fundo de poço aonde acontece tanta corrupção, ou se a corrupção só existe (e existe sim, entre outras tantas coisas) por ser inventada pela necessidade de ter em pauta notícias para bolinar ou confundir as cabeças (e rabos) dos telespectadores.

#ForaBial

BBB é um parque de diversões, um campo de concentrações ou um estudo de caso antropológico que o Pedro Bial usa para discutir (só com ele mesmo) as questões que regem ou canibalizam a existência humana. Só pode ser esse o motivo para fazer o cara sair da cama ereto por levar tanto fervor em um programa-zoológico como aquele. Pedro Bial é o fã número 1 do BBB. Ou ele passa mão em muita bunda lá dentro, ou alguém é que lhe passa… muitas “estalecas” pra contar…

Alguém por favor constrói um muro bem alto e dá o furo de reportagem de mão beijada pro Bial cobrir a demolição eufórica da muralha. Liberta-te antes que te devorem a consciência.

#LuizaMandouUmBeijo

E não é que a menina voltou do Canadá? Antes ficasse por lá. Virar rit no Jornal Nacional, Fantástico e Jornal hoje só dá panos para manga e baliza, e praticamente formaliza de vez a [ “falta de credibilidade do jornalismo globístico” ].

Ela virar celebridade instantânea na internet, até vai, internet é uma peneira sem rede, sem filtro. Impressionante o volume de gente falando sobre a moça, e depois que a coisa está quase acabando é que essas mesmas pessoas realmente entendem quem é, o que faz, do que se trata e o que foi isso tudo. E mais impressionante: a coisa mais boçal do mundo. É como se eu desse um “oi” pro meu vizinho e 170 milhões de pessoas seguissem isso. Gente, virei cool! =)

#ForaAdriano

Esse sim merece o título de Nobel da Paz (não o Obama, farsa), pois consegue ser inocentado de tudo, rapaz tão inocente e inofensivo, com certeza é orgulho da mamãe, do papai, até do Bruno e do Macarrão, da torcida do Flamengo e do Corinthians, orgulho da comunidade. Tudo acontece a sua volta, mas ele nunca se envolve, nunca tem culpa, não sabe e tem sempre razão. Rapaz tem um santo forte ou algum campo de força muito bom.

É o poder da mídia X o poder da consciência. E podemos escolhos qual lado seguir.

~ ~ ~
Um post de Chico Vereza no blog Jornalirismo me gerou comentário e reflexão sobre o assunto.

desabar… desabafo

Falho em mim quando falho com os outros, por parecer menos compreensivo, menos amigo, menos próximo, menos, menor e pouco… Falho em não enxergar que às vezes é necessário mais, me entregar mais, viver e compartilhar mais, aprender, ser, sentir, sorrir e estender as mãos.

Desabo então em saber que se abriu uma brecha, uma fenda que pode ou não virar uma enorme rachadura e depois um abismo colossal, daqueles que você grita para baixo e só o eco responde, ou a ideia de um eco soando vazio e seco na cabeça.

Algumas coisas mudam, internas e externas, sobra aquela sensação de querer mais, de faltar algo, de poder ao menos ter tentado fazer mais, mudar, mudar de opiniões, ter insistido… mas não rolou.

Talvez o pior erro que cometemos é aquele em relação a outras pessoas, pois antes disso, em essência, erramos antes com nós mesmos, e não nos tocamos. Fica o estrago do erro, uma relação arranhada, mas pesa muito mais martelando na cabeça.

Caio no vazio, mesmo sabendo da necessidade de seguir em frente. Uma fase natural, uma busca, um eterno encaixar das coisas, de tentar voltar a sorrir, a sonhar e fazer planos.

Reticências são possibilidades, então que seja feita uma nova chance. Que possa enfim poder saber aproveitá-la, se não houver túnel ou luz no final dele, que saiba como contornar, ou mesmo que seja ainda mais difícil, que saiba atravessá-lo escavando até o sangue e o suor escorrerem, forçando as energias no sacrifício do processo, na vontade de fazer tudo de uma forma melhor.

gaivotas

As gaivotas é que tem a vida dura
por precisarem o tempo todo de seus músculos em corpo leve
planando banhando-se em sol
mergulhando atrás de comida
na baía porcamente abandonada (e suja por nós!)

nossa vida humana que é fácil
de trânsito e passeatas contra injustiças políticas

nós criamos religiões
portanto somos maiores que elas
e mesmo assim a elas nos subjugamos fielmente
desculpas

nós mesmos criamos a intolerância religiosa, física, sexual, social, moral e espiritual
pré-conceitos

salários baixos, filas, hospitais lotados, doenças inventadas
royalties do petróleo e países falidos
tudo culpa de nós mesmos

isso sim que é muito fácil
pois são problemas que inventamos
quanto mais se cava, mais se tem
afundamos em nosso próprio campo minado de buracos

tomara que um dia possamos aprender com as gaivotas
a planar voos mais puros
e dificilmente sinceros.

esse…

Esse telefone que não nos deixa conversar
a falta de coragem que não nos deixa mudar
a falta de perspectivas que desmotiva o acreditar

ligo, penso … e sinto
este mesmo que sou
busco o que acredito
não me acho naquilo que é externo a mim mesmo
nem poderia
não nado mares aos quais não pertenço
não sou penetra
esse não sou eu

minhas mãos, mente e alma, o que faço são minhas credenciais
não me abrem todas as portas
mas as que julgo certas
ao menos para mim

minhas experiências não são as mais louváveis ou diferenciais (para mim são)
não me julgo melhor que ninguém
nem maior
prefiro a humildade e o respeito
principalmente a mim mesmo

essa conversa que não é de telefonar
o que precisa ser dito ou só por desabafar
verdadeiro e sincero é minha forma de buscar um sonhar.

desaguando desabafo

A vida é mais que novela, cambada de alienado! A vida é real, é física e virtual ao mesmo tempo. A magia está em se saber viver, não em se enganar nas baboseiras das telecomunicações glogo de babaquice! Não precisa ligar a TV pra saber que seu vizinho matou um cara, basta abrir os ouvidos, abrir os olhos, principalmente abrir a mente. Não precisa ligar a TV pra saber que hoje a bolsa cai, o dólar sobe, amanhã o mesmo ou ao contrário, e isso não faz a menor diferença. Precisamos sim é ligar o botão do bom senso, do respeito, da entrega, de saber ouvir, saber falar, de falar na cara, de saber cobrar, de saber se fazer cumprir. Cuspir sim, se necessário, mas saber dar a cara a tapa também, saber sentir na pele mais que aquele gozo virtual da enganação. Saber é ter sensibilidade, respeito, recurso e canhota, carcaça e destreza, caráter, ética, moral, respeito e amor próprio, respeito e amor ao próximo.

Quem com ferro fere, entuba no próprio rabo uma tuba tão grande que abafa o grito agudo da dor, que cala e consente. Alienação coletiva no horário nobre é a real falta de vontade de buscar uma alternativa mais digna. Sobram-nos opções, mas falta-nos aquele instinto de virar a mesa, a coragem de enfiar cara na frente do cano, da bala do bandido que mata, da insistência em não se morrer morte matada, de sobreviver ao caos, de brigar pela vida, de viver pela vida, de sentir pela vida, de amar pela vida, de viver pelo puro que pudermos ser.

hoje eu preciso te abraçar *

Erro-me eu querer acertar
mas tento não errar em querer ser certo

me sinto tão pequenininho, miúdo, micro
invisível, vulnerável
voz sem alcance
ouvidos presentes, mas fora de alcance
ignorado

não sei mais quando é hora e quando não é
o que fazer, o que dizer, o que ouvir
até quando aguentar
e porque de tudo isso

sempre são oportunidades de aprender mais
de crescer mais
e de crescer um pouco menos
que é muito importante

mas me batem tantas dúvidas
me batem tantas portas
tantos tapas e socos na cara
tantos encontros em paredes e portas de vidro
até mesmo quando tudo é tão claro e óbvio

tudo é mesmo tão óbvio?
para mim, para você, para os outros
até quando?

tudo muito tão a sério
quando brincadeiras, são vazias
tudo tão sem sentido

é chato ser atirador
disparar fogo contra fogo
dar na mesma moeda
não vale de nada tentar mostrar algo na marra
não vale de nada e nos machuca mais que aos outros
e ao machucar os outros nos machuca ainda mais
e ao nos machucar abrem mais feridas
mais verdades, mais mentiras
erupção de sentimentos ruins
aparas em mim não podem ser farpas para os outros

hoje só quero um ontem diferente
e um amanhã melhor

antes de cobrar dos outros que sejam melhores
preciso ser em mim algo melhor
algo, depois alguém melhor
um todo melhor
um todo sem precisar ser completo
mas em descoberta constante
sem grilo, na humildade
mais leve.

~ ~ ~
Ouvindo: Jota Quest, Jimi James e Iron Maiden

~ ~ ~
* “Só Hoje“, de Jota Quest

cara a cara

De cara nos caras a nossa volta. Encarar e ver que pouca coisa é, pouco se esforça ou economiza, tão caro é o vazio convívio com aquilo e aqueles que nos parecem estranhos, mas são tão a gente como se fossemos nós mesmos, fora do espelho.

Esbarramo-nos, estranhamo-nos como dando socos cegos em pontas de afiadas facas, afiadas linguas as nossas que cismam em cair fora da boca na hora errada. E as relações, amizade e amor, onde encontramo-nos em vez de esvaziar?

Falta esse amor antigo ou mesmo o novo reinventado na contenporânea ebulição das rápidas revoluções. Falta a falta que a falta faz. Falta o sentido de perguntarmo-nos onde está a inocência do sentimento e sinceridade maior que qualquer sentido.