pintar um quadro novo


Se o horizonte nublou, se o cenário mudou, se caiu um pé d’água, se todos viraram-se contra você, se as contas chegaram, encare o céu, dê cor, pinte um quadro novo. Dê asas aos pés, ponha a sorte no bolso e confie mais nas suas escolhas. Se não tem mar, mergulhe no ar, na imaginação, com criatividade o cenário muda, com fé e sorriso o contexto ganha novos ares. Cantarole uma canção e ria de si mesmo se desafinar, sem vergonha de ser feliz. 

Anúncios

melhor para mim


Em vez de desejar te tocar para tentar alcançar o céu, vou desejar alcançar o céu para tentar me tocar. 

Não é por olhar como se fosse o centro do universo, pois é definitivamente o que não quero ser. Mas cansei de ver o universo se mover, e preciso também fazer de mim movimento, força e buscar centramento e razão. 

textos arrependidos


Textos esquecidos antes mesmo de serem escritos, ficando na falta de lembranças, a falta daquilo que em algum momento fez sentido ser dito. Perdem-se entre dedos, entre teclas, em tela, como algo enterrado no tempo. Muita coisa escrevi e guardei, não publiquei. Muita coisa ficou na cabeça, em intermináveis diálogos comigo mesmo, entre o que queria dizer a mim ou o que eu gostaria de ter ouvido. Entre o que eu queria dizer a você, ou a você, ou a você, … ou a outras tantas pessoas. Mas me coube guardar, ou me recolher em calar. Não me arrependo do que fiz, vivi, disse, demonstrei ou mesmo que tenha deixado de fazer, viver, dizer e demonstrar. Não me arrependo dos meus desabafos nem dos meus textos calados, guardados no rascunho, que nunca serão lidos por ninguém. Nem me arrependo de não ter escrito o que deveria. Pois tudo pode de alguma forma se resolver e curar. Mesmo as lágrimas que caem, são de dor, ou de querer e não e arrependimento. Errei sim, e muito! Causei mais dor do que a que sinto. Mas minha dor também tem valor e significado. Não cabe nem a mim julgar, ser juiz das minhas falhas, mas me policiar para superá-las.

desafie seus gigantes

Não sou cara de desafios, nem de me colocar à prova, mas hoje desafiando o maior dos gigantes, o único gigante contra quem devo travar harmoniosa e dura batalha: eu mesmo. Sou meu maior companheiro, meu maior oponente. Entre dificuldades, dúvidas, decepções e frustrações, entre choro, raiva, entre tristeza e alegria, sorrisos, carinho, apoio e negações, escolhi e busquei tentar superar e vencer. Reconquistar meu espaço, poder olhar novamente no espelho, poder olhar cada canto do Rio de Janeiro sem precisar chorar por boas lembranças, momentos e histórias vividas que não vão voltar. Não peço pra voltarem, e não me arrependo de nenhum momento vivido ou não tendo sido possível de ser vivido. Mas na boa, a vida abre e brilha como sol todos os dias, então não me cabe ser refém de mágoas, por isso mudo minha cabeça e trilho desejando felicidade a mim e a todos. Sem egoísmo, mas minha felicidade é importante. Sem ego, mas eu sou importante, e devo me valorizar. Sem medo, pois já passei riscos de mais e sai ileso, de mente tranquila e consciência limpa, por não mentir quem e o que eu sou. Mesmo fraco ainda, hoje sou mais forte, grita em mim uma pura vida, jovem e linda, e isso ninguém me tira.

45


Mem cinco minutos guardados, eternizados em auge de mais puro sentimento foram argumentos fortes para sustentar a identitade líquida dos seres. Palavras doces, recaídas, esperanças, negações, mais esperanças vazias, conselhos e broncas, tentativas de abrir os olhos entre as lágrimas. Cinco segundos para decidir, quarenta e cinco para se arrepender, seis horas de reflexão e conselhos musicais abafados egoisticamente nos ouvidos. O que é (e o que nunca foi) amor nos dias de hoje? Como pessoas que escorrem pelos dedos, sentimentos negados, escolhas tomadas. O juiz também deixou o apito de lado e foi jogar, a vida segue correndo e ninguém quer perder. Tenho orgulho por ter tentado, sincero em mim, no meu ser. Nas lágrimas me fortaleço, pois lavo minha alma. 

quando deixar de ser um merda


Tem dias que amanhecem nublados, como escurece a visão por não enxergar mais que palmos adiante. Como na vida também escurece a percepção, deixando de ter sentido, de sentir, perdendo entendimento literal do que se passa. 

Viver entre altos e baixos, entre risos, entre êxtase de alegria e choro calado sozinho, quando baixa a imunidade, a coragem, a vontade e o saber das escolhas. Quando faltam palavras a definir ou explicar. Quando deixo de parecer um merda e passo então a ser um. Não peço pena, não peço que me entendam, não me cabe esse direito. Não me cabe o que causo ao mundo.

mil e uma

Mil lágrimas cairão, borrando a pele, lavando a alma, carregando boas e más lembranças. Mil em mil lágrimas pousarão, banhando o chão do que não lhe pertence. Um mar sob os pés, um mundo no qual se afogar, braçadas incertas em busca da superfície para respirar ou margem para escapar. Mil em mil, mil e uma, mil em uma. Mil vezes dizer e repetir, acertar e errar, mil escolhas e caminhos, mil formas de dizer o que não é óbvio, mil formas de esconder. Mil vezes mil. De tantas mil formas que não cabem em dedos, parecendo tantas quase impossíveis de contar, mas finitas. A cada mil bote mais mil, prolongue as chances e tente o impossível, mas tente. Mil formas de cair significam mil chances de levantar.

dono de nada


O futuro a mim não pertence, como nunca pertencerá. Quando for a hora será presente (tempo) e presente (dádiva) naquele sentido que não se deve negar. Rejeitar um presente pode ser visto como falta de educação. Rejeitar o presente é abrir mão de viver o único momento em que se vive. Do passado: consequência. Do presente: construção. Do futuro: presente.