eu erro

Cansado dos xingamentos, do calor das pessoas e do calor da cidade.
As vidas lotadas de falta de sentido e as dúvidas.
A vida é um ônibus? De passagem? Ou dê passagem?
Cansado de ter que escolher e não saber por onde começar.
Não entendo porque tanto rivotril ou dorflex, enquanto as pessoas nem sequer bebem água direito, ou de boa qualidade.
Escadas para subir, barrancos por cair.
Andadores artificiais, preguiça até de chamar o elevador.
As obras que nunca acabam, e as necessidades básicas nunca sanadas.
Furar fila, entras no ônibus sem pagar, pular a roleta ou entrar pela janela.
Quando lembrar de dar bom dia já é quase hora de ir embora.
Cansado dos tiros, da falsa segurança, cansado do medo.
Pessoas cheias de razão, cheias de si.
Virar a cara para o próximo, não ter a mão generosa, e ainda ser pedinte mal agradecido.
Cartazes nas ruas que não dizem nada.
Pessoas que não conversam com livros.
Digitalização da banalidade.
Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais, eles erram.
Eu era, eles eram…

prostituição

grito_montagem

Me sinto usado, usado e abusado. Como um objeto barato e descartável, necessário apenas por não ter nada para pôr no lugar.

Prostituído por um salário que muitos perseguem como sanguessugas. Prendendo as próprias mãos nessas amarras e muletas, marginalizando a própria existência.

Me sinto um verme, coexistindo entre outros vermes e sua suja presença pervertida opressora. Como uma barata na própria sujeira e na sujeira alheia, viva ainda porque ninguém foi lá pisotear, à pesar de tudo.

Estuprado, em todos os sentidos, largado na sarjeta da hipocrisia, alheio, alienado, corrompido e canibalizado.

as vozes não se calam

Das ancas à cabeça
das garças à sem graça
de motos à maremotos
de revoluções à evoluções
do ninguém ao alguém

do silêncio ao caos

das antas aos ignorantes
das graves às piores
das greves à violência
do ensino ao descaso
do nicho ao misto

do índio ao revendo
do plebeu ao marechal

do caos à falta de silêncio para se expressar!

do cala-te boca ao cale essa boca
do cálice ao cale-se
do tapa à cara
do cara ao acará
do todo mundo à ninguém
do ninguém ao nada

da vizinha à fofoca
do visual à foca
da vaca ao cavalo
do meu para o seu prato

da falta de se expressar à falta de vontade de mudar

as vozes não se calam
as de fora gritam mais que as dentro da minha cabeça
as vozes não se calam
e as dentro da sala gritam como em ambientes abertos

dói a falta de não saber parar de ouvir
de não ter escolha à fazer as escolhas erradas
de poder escolher à ter que aturar
de se achar à se perder

do silêncio ao caos.

vinte centavos…

… é o que pareço valer, em um contexto que não parece prestar, sem perspectivas, profuso em vazio.

Livre para aceitar ordens absurdas e ouvir barbaridades de estranhos com suas ilusões de poder. Crianças velhas brincando de fantoches, mas o mais radical que sabem fazer é apertar botões ou assinar papéis de dispensa.

Desfilando suas roupas moderninhas em corpos e mentes vazias, ou seus gadgets, que não falam nada que faça sentido, que não se importam e não se envolvem. Pessoas imateriais. Materiais que moldam nossos hábitos.

Salários que não pagam caráter. Caráter tão baixo que nenhum salário há de passar perto de salvá-los.

Ah, vinte centavos! Tão melhores que tudo isso. Daria um mundo por vinte centavos, e vinte centavos de volta para salvar o mundo.

Parece que tudo que sou e faço soa vulgar, ofensivo, errado, fora do lugar. Reclamar de mais, desabafar de mais, socando facas, caminhando no limite do abismo, brincando com o inimigo, cutucando o perigo. Talvez me pareça ser inconsequentemente correto agir fora do padrão. Talvez incoerente seja continuar essa palhaçada!

E eles dizem sempre algo sobre “pensar fora da caixa”, me parece mais que se trata de pensar fora da realidade, pensar que pensam, só pelo fato ou pela diversão em si, e só isso, mais nada, só para mover-se diferente. Me soa tão mais do mesmo, tão clichê, tão babaca. Os ditos populares antigos eram bem mais sábios, criativos e motivadores, hoje os contemporâneos são datadamente descartáveis, como tecnologia e sua obsolescência programada.

Vinte centavos, vinte e tantos anos, beirando os trinta. E tomara que os próximos sejam mais ricos e verdadeiros que braços biônicos e criogenia humana. Pessoas sem sal, cérebros sem corpos, corpos vulgarizados. Pós-morte de bilhões de dólares, vidas que se perdem num estupro por migalhas e centavos manchados.

É isso mesmo que queremos? Eu não!

amor a gente deixa para os bons

Amor eu deixo para os bons
para os outros deixo minha cara de desprezo
que é o espelho que devolvo à sua ignorância

a sua falta de respeito me ofende
acha que me enfraquece?
ela te deixa vazio
te mostra o monstro que é
subproduto produzido em série, melhorado/piorado por um sistema corrupto

amor faço com minhas próprias mãos
melhor que te tocar impuro
e me sujar na tua falta de caráter

meu ódio é combustível
destilado dessa sua cara lavada
subornando e subjugando a pureza humana
uso esse óleo pra te lamber e fazer arder em fogo
e te apagar de uma vez por todas

vê se cresce
pois é inútil continuar sua brincadeirinha

acha que vai conseguir algo de bom?
não vai conseguir nem amostra grátis

amor verdadeiro talvez não saiba o que é
respeito, harmonia, caridade, humanidade
já ouviu falar?

então o que canalizo é para quem sabe dar valor
amor, carinho, afeto, abraço, sorriso
para quem realmente vale.

amor flácido

Algumas vezes por dia ouço certas pessoas dizendo “te amo” para as mais variadas pessoas, de convívio direto ou não, pessoas do trabalho, pessoas das quais depende ou elas que dependem de seu trabalho. E é tão fácil e corriqueiro quanto duvidoso esse sentimento.

Às vezes é só questão de medir as palavras, ou pensar um pouco antes de falar, pois o sentimento não é bem aquele, e palavras e expressões ficam banalizadas na ponta da língua, doidas por serem disparadas. Algumas pessoas caem nessa lábia, acreditam mesmo nisso. E vai depois dizer pra elas que esse “amor” não é bem aquilo que elas estavam esperando. Um “obrigado”, “de nada”, “bom dia” ou “amigo” às vezes cabe melhor.

Esse sentimento fácil, de palavras soltas, da boca pra fora, só para tentar amenizar a reação da outra pessoa ou externar algo bom não deve ser confundido com algo tão puro quanto amor. Esse “amor” fácil, falho, de tanto se estender a toda e qualquer criatura que esteja a rodear, se torna amplamente corriqueiro e elástico. E de tanto expandir-se, torna-se flácido ao cair nos olhos da verdade. Perde a elasticidade e a liga, perde a relevância e o sentido real, confunde-se com mentira ou desculpa, torna-se menor, sem se perceber.

poder: 140 caracteres ou 7 bilhões de consciências?

#ForaDaniel

Agora para tirar o corpo (e o corpúsculo) fora, o tal do Daniel (figura tão íntima do público, através da tela da BBB TV, mais íntimo ainda Monique Bolinada) diz que broxou. Fato é, se broxou não entrou, então melhor assumir a “falha” que assumir a falha. Ou melhor assumir a falta do que assumir a falha? Falha, falta ou pênalti o fato é que o modelão não marcou o gol, ou foi um gol de bola tão murcha de meia que a bolinada nem sentiu. Ou será que ela é mais uma dessas com duas ou mais cavidades entre as pernas, de tão aberta que não sente mais volumes? Perder o tato é algo muito preocupante.

Fato é que a TV Coronelista Imperialista Ditadora Globo de Futebol e Regatas (ou também conhecida como Grêmio Recreativo Escola de Samba Globo – vulgo Globeleza; ou Rede Globo de Televisão) é completamente tendenciosa e manipuladora. Não é o BBB que é um laboratório, é do lado de cá da poltrona (fora das telinhas) que está o verdadeiro laboratório e campo de testes dessa megalomaníaca corporação. Ela é sempre a politicamente correta, é sempre a menina dos olhos. A do governo quando lhe interessa ou da oposição quando lhe convém interesse. Às vezes fico tentando descobrir se realmente Brasília é um fundo de poço aonde acontece tanta corrupção, ou se a corrupção só existe (e existe sim, entre outras tantas coisas) por ser inventada pela necessidade de ter em pauta notícias para bolinar ou confundir as cabeças (e rabos) dos telespectadores.

#ForaBial

BBB é um parque de diversões, um campo de concentrações ou um estudo de caso antropológico que o Pedro Bial usa para discutir (só com ele mesmo) as questões que regem ou canibalizam a existência humana. Só pode ser esse o motivo para fazer o cara sair da cama ereto por levar tanto fervor em um programa-zoológico como aquele. Pedro Bial é o fã número 1 do BBB. Ou ele passa mão em muita bunda lá dentro, ou alguém é que lhe passa… muitas “estalecas” pra contar…

Alguém por favor constrói um muro bem alto e dá o furo de reportagem de mão beijada pro Bial cobrir a demolição eufórica da muralha. Liberta-te antes que te devorem a consciência.

#LuizaMandouUmBeijo

E não é que a menina voltou do Canadá? Antes ficasse por lá. Virar rit no Jornal Nacional, Fantástico e Jornal hoje só dá panos para manga e baliza, e praticamente formaliza de vez a [ “falta de credibilidade do jornalismo globístico” ].

Ela virar celebridade instantânea na internet, até vai, internet é uma peneira sem rede, sem filtro. Impressionante o volume de gente falando sobre a moça, e depois que a coisa está quase acabando é que essas mesmas pessoas realmente entendem quem é, o que faz, do que se trata e o que foi isso tudo. E mais impressionante: a coisa mais boçal do mundo. É como se eu desse um “oi” pro meu vizinho e 170 milhões de pessoas seguissem isso. Gente, virei cool! =)

#ForaAdriano

Esse sim merece o título de Nobel da Paz (não o Obama, farsa), pois consegue ser inocentado de tudo, rapaz tão inocente e inofensivo, com certeza é orgulho da mamãe, do papai, até do Bruno e do Macarrão, da torcida do Flamengo e do Corinthians, orgulho da comunidade. Tudo acontece a sua volta, mas ele nunca se envolve, nunca tem culpa, não sabe e tem sempre razão. Rapaz tem um santo forte ou algum campo de força muito bom.

É o poder da mídia X o poder da consciência. E podemos escolhos qual lado seguir.

~ ~ ~
Um post de Chico Vereza no blog Jornalirismo me gerou comentário e reflexão sobre o assunto.

café & tv

Mais de … d u z e n t o s … canais, as séries em sua grande maioria são americanas, como os filmes, e mesmo na TV paga, como se não bastasse tantos enlatados, há aqueles velhos programas de vendas, que por incrível que pareça nos prendem, e ficamos como idiotas vendo as coisas cozinhando, dourando, sucos revolucionários, equipamentos mirabolantes para todo tipo de ginástica e tonificação corporal, as toalhas e colchas que são mais macias e fofinhas e várias jóias e relógios. Está tudo ali, não compra se não quiser (e nem precisa ter dinheiro…).

As séries passam aos montes, e se repetem em maratonas de episódios seguidos. Enquanto os extraterrestres são só mariposas inofensivas perto de mutantes ou aberrações psíquicas de terroristas em séries policiais (ou marginais). Trinta ou quarenta minutinhos por episódio, com ou sem intervalos comerciais, e a cada 2 minutos muda a cena, não sabemos mais se é dia ou noite, já que os sedentários americanos são mais sedentários que nós assistindo TV, e as cenas são quase todas internas e as personagens se revesam em trocas incessantes de… de… xícaras de café. É impressionante, abre a cena: personagem de roupa de dormir, sentado a mesa conversando, com uma enorme xícara de café na mão, a outra tem também uma enorme xícara, a diferença é que tem café. Troca cena (em cinco segundo): e… já é dia, cabelos acordados e xícaras de café na mão. Como se não bastasse, há os velhos e porque não típicos representantes da espécie masculina-máscula, que como diria o Lobão, na sua “pau-durecência” mais sarcástica (peida, arrota e solta um palavrão ou piadinha) que não largam uma garrafa de cerveja, desce como água.

Sociedade de consumo. Acrescente um pouco mais de açúcar e agite sua TV, e ligue seu café no canal mais badalado.

> Ouvindo: BlurCoffee & TV

desabafando

Estive conversando ainda há pouco com um amigo. Acabei desabafando de mais sobre minha vida profissional, sobre o que penso e desejo, rsrs. Certezas ou não, ao menos é sempre bom parar para refletir sobre o rumo que vou seguindo.

Sobre se eu quero trabalhar com propaganda, por enquanto não mais, quero focar no meu trabalho mais autoral, mexer mais um lado artístico. É o que quero fazer, se puder um dia largar tudo, parar de trabalhar em empresa e viver só do meu trabalho, ficarei muito feliz. Trabalho com design já há pouco mais de 5 anos, no mesmo lugar, saturado de algumas coisas já, e é difícil sair, porque o mercado é “do mal”, coisa feia mesmo.

E o curso (Portfolio, na ESPM) ainda me mostrou um lado mais amargo ainda disso tudo, e me fez ver que em agências, desse porte, com esse nível (de pessoas e estrutura) definitivamente eu não me encaixaria, e isso por um lado é ótimo, ao menos pra mim.

Eu tenho namorada, planos de casar mais pra frente, quero e preciso me dedicar a um trabalho que eu ache justo e verdadeiro, uma parada que me dê prazer e leve isso também a outras pessoas. E isso, infelizmente, fica um pouco de fora desse mercado todo, nós sabemos que fazemos nosso trabalho digno no dia-a-dia, mas há muita falsidade aí no meio também, coisas que me fazerem diariamente pensar… Ao menos eu trabalho num lugar aonde, tendo ou não liberdade de falar e me expressar, eu falo mesmo, seja para xingar meu chefe (que é um grande amigo meu) ou gerente ou quem for… e eu falo, porque não dá pra engolir sapos o tempo todo e ainda baixar a guarda pra deixar o bonde passar, pois o bonde passa, leva um monte de coisas junto, e se bobearmos somos sempre deixados para trás.

Mas eu também não sou revoltado assim o tempo todo não, rs.

Só que eu me permito dizer “sim” e “não”, e sempre acreditei que andar e crescer nunca é só para frente e para cima (“para o alto e avante” ou “para o infinito e além”). Na vida andamos pra frente sim, e devemos saber olhar para trás, ter humildade, pedir ajuda, saber a hora de pegar o caminho mais longo ou o mais curto, não por comodidade, mas por relevância.

Quanto a esse lado profissional, eu coloquei uma coisa na cabeça e pretendo seguir até quando aguentar. Pelo que vi, pouco que conheci, no momento só há tem 3 lugares que pretendo trabalhar: aonde estou (porque cresci ali e encontrei pessoas muito especiais, que me fizeram enxergar e encarar o mundo como um profissional e acima disso, uma pessoa melhor, descobri muito sobre amizade e amor, mesmo que algumas dessas pessoas não estejam mais, mas ainda carrego comigo algo muito especial que aprendi, e aprendo ainda hoje); outro lugar, que é meu sonho, é a Tátil Design (pois admiro muito o trabalho, e ainda entendo que é algo sério, sincero e profissional); e outra situação seria voltar a trabalhar com minha primeira chefe (pois ela é uma pessoa incrível, e sabe respeitar, dar espaço e confiar). Felizmente, ou infelizmente sei lá, eu não consigo tirar meu coração do trabalho que faço, isso pode atrapalhar bastante, mas se não for dessa forma, eu prefiro não fazer. E já algumas vezes tentei ser firme em afirmar e me retirar quando não quis executar algo com que não concordava.

O fato é que ajudar as pessoas é muito mais gratificante. Ajudar é muito melhor do que simplesmente trabalhar, pois as pessoas dão valor, na maioria das vezes. Me entregar e coração é muito melhor que me entregar somente enquanto trabalhador assalariado.

Desejo do fundo do meu coração, poder realizar meu trabalho em paz e feliz. =)

bom dia

“Bom Dia Brasil”… ou melhor “Bom Dia, Vietnã”, talvez se adequasse melhor ao editorial de hoje (ontem) do jornal matinal. Tive que acordar mais cedo, por causa de um curso, tirando o sono enorme, acho que nem escutei o despertador tocar, mas me surpreendi ao ver a televisão ligada, e estava passando um jornal regional, que nem lembrava que passava, rs. Mas logo que terminou o Bom Dia Rio, começou o Bom Dia Brasil. E qual foi meu espanto, para uma segunda-feira que poderia ser tão mais agradável, logo após um final de semana de dia dos pais? Um péssimo editorial: trânsito, polêmica, violência, e em meio a tanta notícia ruim (ainda bem que não era eu sentado em frente a TV, e estava mais preocupado com escovar meus dentes), a única notícia que não era ruim, foi referente aos resultados co Campeonato Brasileiro de Futebol. E mais ainda, ainda bem que eu não fiquei para assistir ao jornal.

Uma pena…

Isso foi ontem, mas por hoje os noticiários, não só matinais, mas os da tarde também se repetiram em furacões, tremores, senadores e um monte de más notícias. Poxa vida, poderia ser melhor hein.