eu erro

Cansado dos xingamentos, do calor das pessoas e do calor da cidade.
As vidas lotadas de falta de sentido e as dúvidas.
A vida é um ônibus? De passagem? Ou dê passagem?
Cansado de ter que escolher e não saber por onde começar.
Não entendo porque tanto rivotril ou dorflex, enquanto as pessoas nem sequer bebem água direito, ou de boa qualidade.
Escadas para subir, barrancos por cair.
Andadores artificiais, preguiça até de chamar o elevador.
As obras que nunca acabam, e as necessidades básicas nunca sanadas.
Furar fila, entras no ônibus sem pagar, pular a roleta ou entrar pela janela.
Quando lembrar de dar bom dia já é quase hora de ir embora.
Cansado dos tiros, da falsa segurança, cansado do medo.
Pessoas cheias de razão, cheias de si.
Virar a cara para o próximo, não ter a mão generosa, e ainda ser pedinte mal agradecido.
Cartazes nas ruas que não dizem nada.
Pessoas que não conversam com livros.
Digitalização da banalidade.
Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais, eles erram.
Eu era, eles eram…

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poeta tolo

Hoje acordei morto e destruído
me transformei em raio, rápido como trovão
me benzi na água gelada

hoje fui lixo, virei água, farelo e resto

hoje fui herói e vencedor

hoje senti a tristeza me abater
a alegria me animar
a tristeza me ensinar criatividade
e a alegria me fazer repousar

hoje não passo de um poeta tolo
um sonhador de sonho solitário
nem lágrima consegui ser.

Não tenho medo de dizer o que penso.
Tenho medo de só dizer, sem prensar. Tenho medo de não pensar.
Dizendo ou não. (RM)

Se a vida fosse só o que nos servimos à primeira vista, nunca descobriríamos o que é seguir em frente. (RM)

Poesia ao despertar do dia é ainda sonho
Poesia ao deitar à noite é ainda vida. (RM)

Tudo que escrevo é questionável
pois me sobra ignorância e falta beleza poética.
Antes as dúvidas que me despertam olhares curiosos e descobertas
que certezas que se limitam às verdades. (RM)

tanto nada

Tanta novidade é um tédio
uma loucura entorpecida em burrice e consumismo
uma burrice assumida
um choro arrependido

tanta futilidade que me cerca
absorvo, vivo e sobrevivo
me afogo completamente consciente
um choro arrependido

a carteira no lugar do coração
um cheio que nunca preenche o vazio
a saliva só por ir ao chão
as mãos secas no toque

o pulso ainda pulsa
mas de nada adianta ritmo ou cadência
se é a falência de sentido que sobra

tanta tristeza
e tantos sorrisos falsos
tanto sarcasmo e palhaçadas bestas
e tantas falsas amizades

o murro ainda soca
mas de nada adiantam facas
pois dividem em vez de multiplicar.

amor flácido

Algumas vezes por dia ouço certas pessoas dizendo “te amo” para as mais variadas pessoas, de convívio direto ou não, pessoas do trabalho, pessoas das quais depende ou elas que dependem de seu trabalho. E é tão fácil e corriqueiro quanto duvidoso esse sentimento.

Às vezes é só questão de medir as palavras, ou pensar um pouco antes de falar, pois o sentimento não é bem aquele, e palavras e expressões ficam banalizadas na ponta da língua, doidas por serem disparadas. Algumas pessoas caem nessa lábia, acreditam mesmo nisso. E vai depois dizer pra elas que esse “amor” não é bem aquilo que elas estavam esperando. Um “obrigado”, “de nada”, “bom dia” ou “amigo” às vezes cabe melhor.

Esse sentimento fácil, de palavras soltas, da boca pra fora, só para tentar amenizar a reação da outra pessoa ou externar algo bom não deve ser confundido com algo tão puro quanto amor. Esse “amor” fácil, falho, de tanto se estender a toda e qualquer criatura que esteja a rodear, se torna amplamente corriqueiro e elástico. E de tanto expandir-se, torna-se flácido ao cair nos olhos da verdade. Perde a elasticidade e a liga, perde a relevância e o sentido real, confunde-se com mentira ou desculpa, torna-se menor, sem se perceber.

cabeça pra pensar coração, coração pra sentir cabeça

Decifrar o si de mim mesmo
quem sou? vou? quem vivo?
gravitando órbita
corpo, mente, coração
no centro do universo
no centro, mas fora de contexto
no centro, mas deslocado
no centro, fora das vistas
dúvidas…

pensar, ser, viver, agir
curar a ressaca moral
demoralizar-me, desmoronar
cabeça, corpo, peça, apetrecho, artifício
engano…
argumento falho
falta de energia

ei mãe, me ouça (por favor)
o que faço?

ei mente, me ilumine
o que faço?

ei coração, me cure
o que faço?

espelhos dentro, espelhos fora
ping-pong de ideias
refletem-me, vão e voltam
de dentro pra fora
de fora pra dentro
onde será que essas dúvidas vão me levar
me levam pensamentos, nada leves

não há remédio
não há técnica
não há nas prateleiras
solução está no labirinto da cabeça
escondida nas visceras

acho-me?

~ ~ ~
Ouvindo: Engenheiro do Hawaii

deslocado

Não lido, não compreendido por mim mesmo
deslocado, a parte, distante, mudo
mundo muda o tempo todo
mundo não importa tanto
universo interno é uma grande incógnita
desafeto, desconexo, torto
caiu no chão a canção alegre de hoje (ontem)
o lirismo das gotas leves de chuva repousando sobre a Lagoa
pétalas de arco-íris surgem ao abrir a porta
abelhinhas artesãs
até um fogão vermelho e uma porta branca sem cor, rotos, desfalecem pouco caso na calçada
calçadas essas, da Sul, cheias de lixo
histórias esquecidas, novas histórias
estranho ao meu redor
até o cachorro amigo é de papelão
não posso deixar para trás, mais um corpo estendido no chão
pouco de mim, que seja
não deixarei virar nada apenas.

~ ~ ~
Ouvindo: Som da Rua

aquecimento global, ficção ou realidade?

Apoiando a iniciativa e campanha Tic Tac Tic Tac, e o Dia de Ação dos Blogs, pesquei aqui um texto de 2007 do meu antigo blog, dando uma repaginada no conteúdo.

Dia 18 de novembro de 2007, uma edição do Fantástico apresentou uma matéria sobre cientistas que participaram de um documentário alegando que o aquecimento global é uma farsa. Durante a semana anterior foi publicada no Jornal do Brasil a divulgação da pesquisa e relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) sobre as condições do nosso planeta. Lá os cientistas mostram as consequências das mudanças radicais de temperatura. Segundo eles, a grande causadora do efeito estufa, e consequentemente do aquecimento global, é a grande emissão de gases, sendo o principal o gás carbônico. Eles defendem que os governos devem tomar posicionamento firme e imediato no estabelecimento e diminuição da emissão de gases.

Por incrível que pareça, são os governos que indicam cientistas renomados para integrar esse grupo de pesquisa. Mas na hora dos governantes receberem as informações e cumprirem sua parte, eles ignoram e se negam a tomar as decisões. Muitos países pediram que o texto do relatório fosse reformulado,  “suavizando” a culpa dos países nesse caos ambiental. Ou seja, pura incoerência, uma tentativa de menosprezar e de certa forma censurar a pesquisa, ou seja, manipular a divulgação de seus resultados.

Outra corrente de cientistas, do tal documentário, diz que essa história de aquecimento global é uma farsa, realmente defende e acredita nisso, ou seja, não acham que a mudança climática é tão grave quanto dizem, e que isso seja realmente consequência da emissão de gás carbônico. Pelos estudos desses, antes mesmo do “boom” da emissão de gazes, já era perceptível o aumento da temperatura do planeta, ou seja, não são os gazes responsáveis pelo aumento da temperatura. Ainda por cima dizem que é justamente ao contrário, ou seja, que o aumento da temperatura que é responsável pelo aumento da concentração de gazes nocivos.

Mas afinal de contas, o que é ou não verdade? Existe mídia e discussão defendendo ambos os lados. Qual a causa, qual o efeito real disso tudo não sabemos (ainda) – ou muitos não querem realmente explicar. Mas o que sabemos e o que sofremos são as consequências: sim, a temperatura está aumentando (ou baixando em determinadas regiões), florestas sumindo, geleiras descongelando, inundações, furacões, maremotos… isso é inegável.

Já está mais do que na hora de tomarmos consciência de que estamos num caminho que a princípio não está nos mostrando saída. Pode continuar aumentando 1 grau nos próximos 125 anos, ou pode aumentar 1 grau a cada ano! Cada vez mais estamos impedindo nosso planeta de respirar, tampando sua “pele” com estradas asfaltadas, um imenso tapete de petróleo quase impermeável. Deixa de existir mais terra e floresta, para ter mais asfalto, concreto, edificações, pessoas. Pessoas que não terão memória do que é pôr pés no chão. Estamos “encapando” nosso planeta, aos poucos nos destruindo. E isso tem que parar. Devemos pensar soluções para diminuir a emissão de poluentes, fazer uso e consumo consciente de bens duráveis ou não. Devemos fazer uso consciente de nós mesmos e do nosso planeta, pois é o que somos… para poder então poder sonhar com o amanhã.

Em 2007 já era crítica assim a situação. Hoje, entre “eco-chatos” e “eco-bags” (que às vezes não tem nada de eco), nosso consumismo desenfreado está nos matando. A cada pedaço de carne, desperdiçamos no processo de produção milhares de litros de água. Vale lembrar que não só as indústrias as vilãs da emissão de gazes, toda a cadeia, inclusive nós consumidores somos responsáveis. Até a agricultura, mesmo que não pareça, está nessa mira, pois o grande volume de água utilizado no planeta é mais da metade consumido aí. Vale lembrar ainda que o desperdício está em nossas torneiras jorrando à toa diariamente.

Os filmes de ação, que custam bilhões por produção, e que nós cínica e cegamente assistimos no cinema, hoje são a mais pura realidade, o mundo está esgotado, saturado de poluição, descaso e desrespeito. Estamos nos condenando. E não adianta buscar solução lá na Lua… Antes de tudo, falta educação e respeito.

Falando Nisso:

Hoje no Yahoo: “Avião movido a energia solar?” Busca de uma alternativa para avião que não produz poluentes.

bom dia

“Bom Dia Brasil”… ou melhor “Bom Dia, Vietnã”, talvez se adequasse melhor ao editorial de hoje (ontem) do jornal matinal. Tive que acordar mais cedo, por causa de um curso, tirando o sono enorme, acho que nem escutei o despertador tocar, mas me surpreendi ao ver a televisão ligada, e estava passando um jornal regional, que nem lembrava que passava, rs. Mas logo que terminou o Bom Dia Rio, começou o Bom Dia Brasil. E qual foi meu espanto, para uma segunda-feira que poderia ser tão mais agradável, logo após um final de semana de dia dos pais? Um péssimo editorial: trânsito, polêmica, violência, e em meio a tanta notícia ruim (ainda bem que não era eu sentado em frente a TV, e estava mais preocupado com escovar meus dentes), a única notícia que não era ruim, foi referente aos resultados co Campeonato Brasileiro de Futebol. E mais ainda, ainda bem que eu não fiquei para assistir ao jornal.

Uma pena…

Isso foi ontem, mas por hoje os noticiários, não só matinais, mas os da tarde também se repetiram em furacões, tremores, senadores e um monte de más notícias. Poxa vida, poderia ser melhor hein.

quero ser…

Volta e meia me bate isso, esse sentimento de querer mudar, de me explorar, de sair e romper a barreira que o fóssil foi virando dentro da pele que teima em envelhecer. Ontem me deram 30 anos, e hoje me sinto pesado como quem deixou que se perdessem aí uns 5 a 7 anos desperdiçados em pouca construção levantada. Boas histórias sim, excelentes pessoas, excelentes experiências, mas o resultado parece me fugir do que hoje acredito que fosse o melhor para mim…

Final de semana um breve momento me emocionou, senti o quanto me perdi e não era mais uma criança, o quanto a inocência deu lugar a barba e cabelo grande, a marcas no corpo, a marca na mão se um surto de raiva, a olhares pesados, a expectativas frustradas. O simples fato de ver meu sobrinho correr, de voltar, depois de anos, a chutar uma bola… Coisa de criança a gente pode (e deveria) fazer sempre, a qualquer hora, mas deixamos que as coisas de adulto nos tomem as poucas horas do dia. Parece que quando somos crianças a vida é aproveitada mais e o tempo não custa e nem corre por passar, ele simplesmente dura o que for, seja pouco, seja muito, seja acompanhado de desenho animado com biscoitos ou passeios ao ar livre.

Eu quero mergulhar em tinta, me entorpecer no experimento, adentrar o casulo da criatividade e romper como uma enorme bolha de sabão que respinga por todos os lados ao estourar. O lado animal dentro de mim rosna, uiva para a lua que se esconde atrás de um sol que está posto há meses, queimando a retina, já meio difusa, obtusa, cega em certos pontos. O artista quer seguir seu caminho, meu eu interior quer correr em todas as direções ao mesmo tempo, por todos os caminhos ao mesmo tempo, o tempo todo até não aguentar mais, e depois não ligar se precisa ou não seguir, deixar acontecer. Não dá mais para conter apenas em madrugadas o ofício prazeroso. A vida ainda pode e deve ser preenchida em cores, formas, extinto, estilo, experimentação e experiências. Se assim não for, não sei mais como deve ser.

publicidade no mundo da lua

Não diria que todos, mas a maioria dos estímulos que recebemos ao longo do nosso dia-a-dia, sejam visuais, táteis, sonoros, e às vezes até mesmo gustativo e olfativos, sejam fruto da publicidade. Infelizmente é assim, escolhendo ou não, somos bombardeados e entubados por preços, promoções, ofertas, novidades e “revoluções” que “precisamos ter”, e nos forçam a crer que sim, nós precisamos. E o pior, grande parte dessa enxurrada de propaganda é de péssima qualidade, sem falar no mal gosto.

Mas o que já teve seu charme e vanguarda, hoje não passa de grande maioria de “propaganda à varejo”. Não estou aqui querendo me referir somente aos anúncios de varejão, estou justamente dizendo que as propagandas em geral, mesmo o que é considerado o filé, puro suco, tem se tornado produto padrão de prateleira. Me refiro ao modo como a publicidade é pensada e feita hoje em dia, esse modo de proceder, fica muito a desejar, e vemos isso todos os dias. Agências pegam grandes contas, empresas anunciantes confiam nessas agências de grande nome e/ou “tradição”, e o que se vê são publicitários em seus clubinhos lançando peças para concorrer a prêmios da área, sem se preocupar muito com o foco que é anunciar e se comunicar com o público.

Há algum pouco tempo atrás, estava sendo veiculada uma propaganda de carro na televisão. Era um anúncio de queda de preço dos veículos, ou algo do tipo, mas os preços eram tão “convidativos” (segundo a propaganda) que foram anunciar na Lua (sim, lá mesmo, aonde provavelmente ninguém vá precisar de carro). Achei super estranho, mas enfim. Outro dia no carro com minha mãe, na rádio veio um spot de anúncio da mesma marca de veículos, e com a mesma temática, aquela voz, meio distorcida como vinda de um comunicador, e o cara falando que estava na Lua para anunciar a mega promoção do preço do carro. Fiquei imaginando, precisavam bolar uma ideia tão absurda ou superficial para falar que baixou o preço do carro? Mandar um cara à Lua para anunciar isso?

O que é esse comercial de supermercado onde uma mulher (de verdade) interage com um bebê (ilustração digital) e o bebê solta um pum? Nem se fosse um bebê bonitinho seria fofinho, é nojento.

E mais e mais vezes, quantas e quantas propagandas de cerveja superficiais e vazias, mulheres bonitas pra cá, mulher bonitas pra lá, redondo, frescura, bar, final de semana, balada, parece que todo dia é dia e todo lugar é lugar. Se for reparar nesses comerciais, a maioria é em bar e é sempre luz do dia, e nunca é cara de final de semana, ou seja, ninguém trabalha, ou é na praia. Agora “o preço é uma merrequinha… é nadica de nada”. Volta e meia lançam uma lata maior, uma lata menor, uma garrafa maior, uma garrafa menor, um rótulo especial… e o produto em si? Não tem novidade alguma, ou devem estar querendo esconder ou não deixar que as pessoas percebam que tem mais água que outra coisa. Ainda bem que não bebo, rs.

A ideia publicitária, nesse caso é que foi para o mundo da Lua mesmo. E o pior, saber que uma marca anunciante paga milhões para agências criarem campanhas desse tipo. É o sinal da falta de criatividade dessa galera de criação. Esses caras ganham contas muito altas, viram noites e noites, lidam com comportamento e contato com público de milhões de pessoas. É uma responsabilidade enorme estabelecer estabelecer essa comunicação de marca com seu público, e simplesmente, em alguns casos parece que estão desrespeitando ou chamando esse público de burros, sem cultura, ou achando que eles engolem qualquer propaganda ou produto, só porque tem um jingle que gruda na cabeça ou comercial com modelos lindas, ou piadinhas apelativas.

Bom seria se produtos e serviços simplesmente pudessem ser e existir sem a necessidade de publicidade. Ou melhor, alguns realmente não precisam, então porque forçar a barra para anunciá-los, ainda por cima de forma errada?

Mas existem casos que se salvam nessa selva de falta de criatividade, ainda bem.