mais gavetas do que mentes abertas

Há um certo ar de ironia na vida, quando em meios e tempos contemporâneos, de acesso a tudo, liberdade sobre tudo, ainda somos contraídos em herméticos pensamentos. Em que há sempre mentes vazias, mentes fechadas, mentes sofridas, pessoas na esquiva, energia perdida, frustrações, esforços em vão. Mais fácil fecharem as portas, as janelas, dizer um não, aceitar um não, do que ouvir boas opiniões. Se “de boas intenções o inferno está cheio”, então de boas ideias as gavetas também estão. 

De teias de aranhas temos que tecer uma trama de ramificadas possibilidades. Não uma armadilha, mas uma bela, positiva e sutil fuga ao infinito. Abrir as gavetas e botar as ideias em prática. Abrir a mente e botar a vida em prática. 

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seja


Seja a transformação, a cura, a razão, a pureza que você mesmo deseja, seja a bondade, a humanidade, o amor, a força. Seja e acredite. Gandhi tinha razão. Não adianta buscar isso no mundo, em pessoas, bens ou coisas, se não partir algo sincero dentro de si.

Já despertaram coisas muito boas e ruins em mim. Também acredito já ter ajudado a despertar coisas boas em outras pessoas. Percebi como ainda tenho muitos defeitos e o que melhorar. Mas não posso me diminuir e tenho que acreditar também nas minhas qualidades, não teria chegado até aqui sem elas. 

Seja a grandeza com humildade, o amor sem cobrança, a dedicação sem dor. Seja ajuda sem querer nada em troca. Pois virá naturalmente um mundo de coisas boas. Seja paz, e harmonia virá na medida e simplicidade certas. 

a vida é… (parte 3)


A vida é como uma passagem: só de ida, só de volta, ou por tantos caminhos que podemos nos encontrar ou perder. De tantas surpresas, sonhos e encantos que encontramos pelo caminho, os planos e vontades, as buscas, mas também decepções e desencontros. Cada caminho soma um pouco mais ao nosso eu, e ao longo do caminho também somamos e deixamos um pouco do nosso eu às pessoas e locais ao nosso redor. Passa o tempo, lugares, momentos, e às vezes abandonamos o que somos pra trás. Às vezes a busca que é o caminho, uma passagem certa com bilhete premiado. 

porto seguro

Quando só me restarem dúvidas, farei delas o maior impulso na busca de afirmar o que sou e o que sinto. Se as certezas estiverem abaladas, ao menos em mim terei algum porto seguro, a quem recorrer, consultar e reler aquela sinceridade de criança.

Posso oferecer o melhor que tenho, o melhor que sou, meus sentimentos mais puros, meu olhar e timidez, meu carinho e companheirismo. Mesmo as mãos trêmulas de medo pelo que vier a encarar, podem ao se fechar, agarrando uma a outra, ganhar força e coragem. Minhas mãos e palavras não pagam contas, não mudam opiniões, mas minha presença pode ajudar a ser um escudo contra a sociedade e as babaquices do mundo.

Desejo te segurar pela mão, olhar nos olhos e dizer “vamos juntos”.

Não tenho medo das opiniões alheias, pois contratempos e ignorância, intolerância sempre existirão. Meu medo mora em não poder viver o que mais quero.

Se o mundo ruir, mesmo assim eu ficarei. Se todos forem contra, mesmo assim acreditarei. Chegando meu momento e vou brilhar, seguindo meu rumo, refletindo brilho das energias boas à minha volta.

Vamos brilhar juntos, nós que acreditamos na liberdade. “Vamos viver tudo que há pra viver, nos permitir”, acreditando que qualquer dificuldade no caminho é pequena diante das conquistas que tivemos e ainda poderemos alcançar.

ver o mundo

O mundo gira tanto
e há tantas formas de enxergá-lo
vira de lado, de cabeça pra baixo e até ao contrário
invertem-se os papéis
cada momento muita coisa muda

ver o mundo é como olhar no espelho
espanto, alegria, encanto, pranto e planos
nós viramos e mudamos
detalhes em nós que só percebemos quando nos abrimos para olhar de uma outra forma

Tudo pode acontecer
ver o mundo
me ver como mundo
e posso girar. 

eu erro

Cansado dos xingamentos, do calor das pessoas e do calor da cidade.
As vidas lotadas de falta de sentido e as dúvidas.
A vida é um ônibus? De passagem? Ou dê passagem?
Cansado de ter que escolher e não saber por onde começar.
Não entendo porque tanto rivotril ou dorflex, enquanto as pessoas nem sequer bebem água direito, ou de boa qualidade.
Escadas para subir, barrancos por cair.
Andadores artificiais, preguiça até de chamar o elevador.
As obras que nunca acabam, e as necessidades básicas nunca sanadas.
Furar fila, entras no ônibus sem pagar, pular a roleta ou entrar pela janela.
Quando lembrar de dar bom dia já é quase hora de ir embora.
Cansado dos tiros, da falsa segurança, cansado do medo.
Pessoas cheias de razão, cheias de si.
Virar a cara para o próximo, não ter a mão generosa, e ainda ser pedinte mal agradecido.
Cartazes nas ruas que não dizem nada.
Pessoas que não conversam com livros.
Digitalização da banalidade.
Eu erro, tu erras, ele erra, nós erramos, vós errais, eles erram.
Eu era, eles eram…

antes de ser tarde

Como amor que escorre entre os dedos: sofrimento
como histórias que se acabam antes do tempo,
antes de percebermos já haviam acabado
como comida que acaba antes da fome saciar
expectativas frustradas antes de se tentar: ansiedade
como olhar e querer ver mais do que se pode
tentar acompanhar sem ter a curiosidade ou dúvida
errar sem perceber
ser julgado antes mesmo de qualquer ato
adiantar o relógio para chegar mais cedo
chegar tarde já sabendo a desculpa que vai dar
não se chega ao fim antes da hora
como ter o sentimento de querer ser
ser o que não é, é negar-ser
como nunca estar completo
esconder a idade não faz voltar o tempo
antes de ser tarde
não se arrependa: faça!

basta

Basta sermos loucos
e as contas somem
os problemas evaporam
as consequências se envergonham de existir

basta sermos sonhadores
e as contas são pedrinhas de brincar
os problemas são pegadinhas de professor
e as consequências são as mais coloridas

basta sermos malandros
e as contas são dos outros
os problemas são só seus olhos
e a consequência é nos darmos bem (sempre)

basta sermos nós mesmos
e não dar conta de mais ao que não importa
resolver problemas um a um
e por consequência vivermos em harmonia

ou tentar.