carregue consigo uma caixinha de amor


Sem arte a vida não é nada senão vida sem arte. Sem vida a arte não existiria. Com poesia a vida ganha mais cores, flores, texturas e sabores, mais encantos, risos, sorrisos e abraços. As ideias estão nos olhos: de quem vê e de quem se vê. Toque-se, toque o coração de alguém, vá sem medo. Mas se der medo, na boa, não esconda sentimentos, vá! Converse com um estranho, não o olhe estranho, entenda, mesmo sem conhecer, que ele é tão vida e tão bonito quanto você. Seja poesia, pois o mundo tem mais encantos do que a gente imagina. 

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estado de espírito


Poesia é como estado de espírito: às vezes você está no estado, às vezes está no espírito. Às vezes você escreve poesia, às vezes você faz poesia. É preciso sentir, algo que vem de dentro, ou algo de fora que te impulsiona a aventurar no emaranhado de sentimentos e palavras. É como ir a lugares ou revisitar os amigos, sempre novas experiências. Você pode ir ao mercado comprar um sonho, mas nunca poderá comprar um sonho de verdade. Não compre sonhos, conquiste os seus. Nada é fácil ou impossível de mais que não possa ser tentado. O que se espera ou deseja alcançar e conquistar. Longe nem sempre é uma questão só de distância, é às vezes onde você nunca foi. Onde você esteve ou para onde você vai sempre há chance de ser mais perto. A vida é como um livro: uns lêem, outros escrevem, poesia é uma das formar de viver. Não precisa saber ler para ler a vida, basta abrir os olhos da percepção e sentir o fluxo e o que a vida realmente é. Não precisa ser poeta pra escrever ou fazer poesia, basta se colocar ou aceitar um estado de espírito que te inspire a expor aquilo que sente. 

rei da empada


Acorda cedo todo dia, antes de todos, para ver nascer o sol diante de si ao abrir a janela. Espreguiça leve, fazendo uma reverência como maestro regendo o astro maior. Toma seu banho no conforto de uma meia luz do banheiro silencioso. Canta para despertar e esquecer da água gelada. Se divide entre preparar o café e separar nobres iguarias e receitas, dispondo de tudo na enorme bancada. Mãos ágeis ao misturar cada elemento, em proporções e medidas tiradas de anos de experiência e dedicação, acariciando a massa, cultivando recheio como habilidoso alquimista de sabores. Enforma com precisa arte e delicadeza, recheia e tampa, sela e enfileira meticulosamente no tabuleiro como um jogo de xadrez. Ah, e cantarolando para harmonizar cada etapa do processo. Forno ligado, aquecido, acolhe o tabuleiro de forminhas, cozendo sabores no tempo certo da massa: a leveza, crocância e textura de desmanchar na boca. Uma a uma ele vai embalando e armazenando em suas prateleiras de venda, coloca sua camisa branca engomada, seu chapéu coroa a sábia cabeça, e sai pelas ruas espalhando delicioso aroma de suas iguarias. Logo logo crianças, pais e idosos se aproximam para degustar de tão belas preciosidades culinárias e mais um dia o rei da empada conquista súditos e garante seus sustento, além, e acima disso, a grande satisfação a qual se dedica por anos e anos, recheando sua vida de amor e sabor. 

o poeta pede passagem

O poeta caminha em silêncio pelas ruas, dribla buracos como quem baila num salão. Cruza olhares e imagina histórias como gato emaranhando fios de lã, brincando, tecendo verdades paralelas, amores e colorindo de vidas em páginas não escritas. 

O poeta pede passagem, para enveredar por vias, veias, mentes e corações, corroer dissabores, colorir e perfumar os amores. O poeta paga passagem, tem na sua arte a moeda de troca, oferece seu coração em palavras escritas ou declamadas numa praça, debaixo de uma árvore florida. 

desandar

Deixa desandar a baixaria
que de samba o povo faz alegria
deixa destilar a cachaça

deixa prender o cabelo
no calor do corpo belo
deixa descabelar
o povo quer brincar

com o sol que arde
ou na chuva que brinda

seja pé no chão
seja sandália rasteira

deixa desandar a alegria
que na mistura de ritmo
se faz arte, se faz vida
deixa brincar
deixa sacanear
embaralhar pés e braços, abraços
deixa beijar
deixa abraçar
levantar a saia ao rodar
deixa deixar.

a vida é… (parte 1)


A vida é como poesia: às vezes a gente sonha, imagina, às vezes a gente lê, às vezes a gente escreve. Pode ser página em branco, pode ser coleção em vários volumes. Às vezes é sorriso, encanto, idealização, realização. Às vezes é decepção, frustação e dor. 

Pode ser que cada dia seja um novo começo. Mas às vezes vejo cada dia como um novo fim. 

A vida é como poesia: posso escrever ou posso viver, ou ambos. 

se fez de…


Sentiu falta do sol, e se fez de calor.
Sentiu falta da lua, e se fez de noite.
Sentiu falta do escuro, e se fez de trevas.
Sentiu falta de carinho, e se fez presente.
Sentiu falta de beleza, e se fez de encanto.
Sentiu falta de poesia, e se fez de poeta.

Mas quando sentiu falta de amor, ficou em dúvida.
Por maior que fossem suas forças e fraquezas, não sabia o que fazer.
Até encontrar outro ser em dúvida, e juntos se fizeram de amor.