“um trem pras estrelas”


Numa noite nublada, saindo do buraco do metrô avisto a escuridão a cair no verão do Rio. Como passa rápida a vida! As horas contadas quando as luzes acendem e as lojas fecham, e as ruas quase nunca desertas que apenas fingem dormir. Toca Cazuza no rádio e me deparo com betume na grande tela do topo do mundo. Precisaria um trem bem forte para romper barreiras do peito ao céu buscando alcançar estrelas. Visível no centro de tudo reina uma meia lua dourada e linda. Não importam seus nomes, mais que isso me encanta sua beleza, os seus mitos de fases que são um mistério. Dois sorrisos, ou vários, e ganho meu dia. A vida é um roteiro ainda não escrito, que toma forma nas linhas tortas. Somos os astros, somos o tempo, somos enigmas, somos estrelas. 

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Mem cinco minutos guardados, eternizados em auge de mais puro sentimento foram argumentos fortes para sustentar a identitade líquida dos seres. Palavras doces, recaídas, esperanças, negações, mais esperanças vazias, conselhos e broncas, tentativas de abrir os olhos entre as lágrimas. Cinco segundos para decidir, quarenta e cinco para se arrepender, seis horas de reflexão e conselhos musicais abafados egoisticamente nos ouvidos. O que é (e o que nunca foi) amor nos dias de hoje? Como pessoas que escorrem pelos dedos, sentimentos negados, escolhas tomadas. O juiz também deixou o apito de lado e foi jogar, a vida segue correndo e ninguém quer perder. Tenho orgulho por ter tentado, sincero em mim, no meu ser. Nas lágrimas me fortaleço, pois lavo minha alma.