mais gavetas do que mentes abertas

Há um certo ar de ironia na vida, quando em meios e tempos contemporâneos, de acesso a tudo, liberdade sobre tudo, ainda somos contraídos em herméticos pensamentos. Em que há sempre mentes vazias, mentes fechadas, mentes sofridas, pessoas na esquiva, energia perdida, frustrações, esforços em vão. Mais fácil fecharem as portas, as janelas, dizer um não, aceitar um não, do que ouvir boas opiniões. Se “de boas intenções o inferno está cheio”, então de boas ideias as gavetas também estão. 

De teias de aranhas temos que tecer uma trama de ramificadas possibilidades. Não uma armadilha, mas uma bela, positiva e sutil fuga ao infinito. Abrir as gavetas e botar as ideias em prática. Abrir a mente e botar a vida em prática. 

Anúncios

como me sentir?


Como me sinto quando vejo rostos estranhos pelo caminho, nos ônibus, nas ruas, ela estrada, no espelho? Sinto uma mistura de dúvidas, certezas, conclusões precipitadas, histórias inventadas e um certo vazio. Me sinto apenas observador no mundo, irrelevante, sem abrir a boca, sem saber me expressar, apenas mais um na multidão, somando em silêncio. Sinto uma tristeza, um algo incompleto por dentro e por fora. 

um vazio

Vejo tudo que há pela frente
e me sinto cego

vejo tudo que ficou para trás
e ainda assim me sinto cedo

cego por ter tantas possibilidades
que nem cabem nos dedos para tocar
cego por não vislumbrar
que caminhos tomar
cego de tanto ver
ver de nem sempre enxergar

cego por achar
sem me encontrar

vejo um futuro passado
que não mais virá
vejo um passado futuro
que não mais voltará
vejo um presente vazio
virando passado
esperando um futuro
sem saber o que será.