mais gavetas do que mentes abertas

Há um certo ar de ironia na vida, quando em meios e tempos contemporâneos, de acesso a tudo, liberdade sobre tudo, ainda somos contraídos em herméticos pensamentos. Em que há sempre mentes vazias, mentes fechadas, mentes sofridas, pessoas na esquiva, energia perdida, frustrações, esforços em vão. Mais fácil fecharem as portas, as janelas, dizer um não, aceitar um não, do que ouvir boas opiniões. Se “de boas intenções o inferno está cheio”, então de boas ideias as gavetas também estão. 

De teias de aranhas temos que tecer uma trama de ramificadas possibilidades. Não uma armadilha, mas uma bela, positiva e sutil fuga ao infinito. Abrir as gavetas e botar as ideias em prática. Abrir a mente e botar a vida em prática. 

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galáxias


Somos seres humanos, mundanos, munidos de energia, matéria e um monte de coisas inexplicáveis. Somos forças e fraquezas, sujeitos a forças e vetores que nos prendem ao chão ou jogam aos quatro ventos. Rompemos continentes e movemos montanhas, repartimos e achamos que descobrimos a menor das menos partes que nos compõem, e saímos da esfera terrestre. Partimos rumo ao desconhecido universo da mente humana e seus segredos. 

Fomos atrás de sonhos e aprendemos o poder de acredirar. 

Somos pequenos perto da imensidão das galáxias. Nossa insignificante proporção é que nos torna tão importantes em significado. Ao mesmo tempo que somos compostos por moléculas e outras coisinhas tão nano que nem conseguimos medir, o universo é composto por milhares de seres, como eu, como você, como outras espécies e seres que talvez nunca iremos esbarrar pelo caminho, mas existem, coexistem. 

Não somos nada sem os menores e os maiores ao nosso lado e acima de nós. Como também a imensidão das galáxias não seria a mesma sem o brilho dos nossos olhos. 

não está nos livros


Mas que nada! Não cabem nos livros de outros as nossas próprias histórias. De nada valem histórias escritas que não foram importantes de serem vividas. Boas ou ruins, todas histórias tem sua importância. E melhor que escrevê-las ou lê-las, é vivê-las. Não escreva sobre o que viveu, viva o que está escrevendo da sua própria existência. Não seja lembrança, seja um ser vivo.

leitura


Tentei ler nuvens mas não concluí uma frase. Tentei as palavras mas não concluí um livro. Tentei decifrar pensamentos mas não completei um raciocínio. Tentei interpretar sonhos mas vários foram interrempidos. Em vez de me sentir analfabeto, pude me sentir de novo aprendiz iniciante. Na arte de viver há sempre muito o que aprender. 

estado de espírito


Poesia é como estado de espírito: às vezes você está no estado, às vezes está no espírito. Às vezes você escreve poesia, às vezes você faz poesia. É preciso sentir, algo que vem de dentro, ou algo de fora que te impulsiona a aventurar no emaranhado de sentimentos e palavras. É como ir a lugares ou revisitar os amigos, sempre novas experiências. Você pode ir ao mercado comprar um sonho, mas nunca poderá comprar um sonho de verdade. Não compre sonhos, conquiste os seus. Nada é fácil ou impossível de mais que não possa ser tentado. O que se espera ou deseja alcançar e conquistar. Longe nem sempre é uma questão só de distância, é às vezes onde você nunca foi. Onde você esteve ou para onde você vai sempre há chance de ser mais perto. A vida é como um livro: uns lêem, outros escrevem, poesia é uma das formar de viver. Não precisa saber ler para ler a vida, basta abrir os olhos da percepção e sentir o fluxo e o que a vida realmente é. Não precisa ser poeta pra escrever ou fazer poesia, basta se colocar ou aceitar um estado de espírito que te inspire a expor aquilo que sente.