montanha

Corpo eleva-se ao mais baixo e humilde de si
se não houver essência
se não houver o mais fundamental de si
nunca será possível elevar-se

corpo é parte
é reflexo, meio, artifício e instrumento
é força física
mas a mente, a consciência, o espírito
são motores invisíveis que movem mundos que nem imaginamos
em vem de confronto, devemos reunir forças em conjunto

há de se ter equilíbrio
pois é fininha a linha entre o caminhar e o cair
a busca é por harmonizar
pois na hora de voar: mente e corpo devem planar
na hora de fincar raízes: mente e corpo devem se plantar

na hora de chorar, a alma é uma criança inocente
o corpo é só cachoeira

tantos mistérios
tantas descobertas
tanto exercício e busca
tantas coisas para analisar

somos pequenininhos
somos montanhas
somos grãos
somos rocha
somos frágeis
somos pura força

no fundo somos mistérios
que nós mesmos devemos decifras.

vista

Vista cores e dispa-se de preconceitos
vista-se de preconceitos e arrependa-se por ser como é

vista-se de vida
e saberá que ela é muito melhor assim
sirva-se com as roupas do bem
sinta-se como se sua pele fosse o manto sagrado que te coloca em contato direto com a realidade
toque o ar, o mar, o sabor de todos os estímulos sensoriais
e se sentirá tão nu quanto completo e harmônico com tudo à sua volta

vista sabores e creia na sutileza e detalhes de cada um deles
e perceberá quantas e quantas coisas há entre o profundo inconsciente e o mais alto racional

acesse estrelas
pesque ilusões
cultive sonhos
transforme tudo em realidade
vista-se de música que conduz a vida
e deixe-se levar

ser feliz não sai de moda.

então pare de reclamar e vá beber água

Em vez de pensar no infinito distante, comece com o agora, com o próximo, com o horizonte distante. Antes de alcançar o infinito dê pulinhos de felicidade, suba cada degrau, escale um pé de feijão, se permita escorregar um pouco e cair em folhas e nuvens, se permita cair para cima e acordar deitando-se.

Para todo mal há de ter uma razão e um engrandecimento justificável. Para toda insegurança há um abraço, uma carícia, nem que seja no ego para torná-lo manso e sincero. Para 70% daquilo que nos atinge por dentro ou por fora podemos com água curar, com água nos transformar, e para os outros 30% há de mais águas rolarem, lavando e expandindo nossa percepção sobre a consciência e conhecimento próprio.

alcance

Alongar um pouco mais os braços, as pernas, esticar, conhecer um pouco mais os limites, esquecê-los e superá-los, ir além. Não se negar, nem condicionar o corpo a mensagens negativas, de “não poder”, “não conseguir”, pois tudo entra na mente no sentido de impor uma incapacidade assistida, uma preguiça ou aceitação daquilo que realmente não nos é natural. A mente não só coordena ou ajuda a coordenar, a mente também escuta, é coordenada, condicionada de acordo com aquilo que colocamos dentro dela.

Tentar ir um pouco mais além, ao meu ver e na minha crença e sentimento de busca e vivência diária, não pode ser apenas aquela busca compulsiva por apenas superar desafios e limites. Quanto mais tentarmos compulsivamente superar limites, quebrar recordes, romper barreiras, no puro sentido de uma ilusão ou mérito no sentido de orgulho, tentando provar algo a nós mesmo ou o que é pior, aos outros, estamos ao mesmo tempo nos afundando em limites invisíveis, nos prendendo a correntes, no meio de um círculo vicioso de apenas “superar desafios”, sempre e puramente somente isso. E onde fica então o sentido de tudo isso, o ideal, o real crescimento físico, mental, espiritual, onde fica a consciência e equilíbrio?

Tentar esticar mais um pouquinho, o corpo enferrujado sente, dói, mas prova que articulações, músculos e alguns ossinhos estão precisando de exercícios e lubrificação, e não é só vez ou outra que devemos lembras da existência deles, pois muito nos esquecemos. Alcançar a consciência é um exercício diário, físico, mas mental e muito espiritual, tudo aquilo que fazemos e como fazemos, sejam exercícios ou práticas, sejam palavras e gestos, ações, nos levam a um estado de compreendermos um pouquinho mais de nós mesmos, de nos percebermos diante do mundo e de outras pessoas e seres, uma relação mais harmônica com nosso ser e com o mundo, o universo.

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Ouvindo: The Black Crowes

eu interior

A busca por melhoras e a perfeição, bem como a busca por resolver problemas depende sempre da consciência e busca interior. O que fazemos é fruto dos nossos desejos conscientes ou inconscientes. Aquilo que relizamos está ligado ao que pensamos e a troca de energias que estamos cultivando em nós mesmos e consequentemente ao nosso redor. Se desejamos o bem, para nós e para os outros, se desejamos ser amados, devemos sempre começar por nos fazer bem, nos conhecermos e nos amarmos, e ao redor coisas boas acontecerão, pessoas naturalmente virão com essas boas energias de volta.

Parar de nos lamentarmos ou desejarmos, ficando pedintes, desejosos e dependentes de “milagres”. Cabe desejarmos coisas palpáveis (se desejamos então é porque queremos atingir e/ou realizar) e cultivar e fazer por onde essas mesmas coisas e desejos possam ser realizados, de dentro para fora, do consciente, espiritual, alma, corpo e conexão com forças maiores, para ai sim, vivermos plenamente um estado de felicidade e equilíbrio.

a melhor forma

A melhor forma existe? Talvez a melhor forma de responder algo seja sabendo primeiramente qual a pergunta.

Ontem uma mensagem veio muito clara e quero tentar me convencer e exercitar uma coisa: que as “abobrinhas”, os problemas existem e sempre existirão, mas não podemos absorver ou puxar para nós os problemas dos outros, não devemos regar as abobrinhas (porque elas crescem), nem as nossas nem as de outros.

Talvez a melhor forma de responder uma pergunta seja: não repondê-la. E hoje eu já respondi questionamentos demais, preciso calar-me.

Yoga realmente é muito bom, às vezes acho que preciso praticar 24 horas por dia. E a real é que a consciência, a prática é sim o tempo todo. Como não atingi isso, ainda tenho muito que crescer e melhorar. Continuando a mensagem: se um problema nos chega, não devemos cultivá-lo, ficar alimentando ele, devemos sim tomar consciência dele e então pensar nas formas de saná-lo. O prórpio fato de tomar consciência do problema já é por si só solucioná-lo, pois conversando com nosso próprio corpo, mente e espírito e o contexto a nossa volta, percebemos o problema, as causas, e a solução torna-se mais natural.

Cabe a nós, ou melhor… cabe a mim, comigo mesmo, tomar consciência dos meus problemas, não me envolver mais nos problemas dos outros e me equilibrar.

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Ouvindo: Titãs – A melhor forma

imagine

Imagine-se num floresta: folhas verdes, clima suave, agradável, vento nas folhas, som se pássaros e animais, o perfume da terra, grama, flores, frutos, a brisa e o encanto do clima natural. O ambiente envolvente, vivo, abraça, dá aconchego, carinho e cuidado, onde nos sentimos integrados, enraizados, braços são continuação de galhos e árvores, raízes são continuação de nossos corpos, flores e frutos com suas cores vivas, vibrantes, são reflexo de nossos corações e mentes, da natureza e pela natureza presente e parte da nossa existência.

Integração, equilíbrio, entrega, carinho, retorno, centramento, amor, crescimento são sentimentos cultivados na busca interna, a cura e a descoberta que parte sempre da consciência, do corpo, da mente, sempre de dentro para fora.

É o que venho sentindo e tentando trabalhar nas aulas de yoga. Tem sido tão refrescante, trazendo calma e um pouco mais de equilíbrio, controle, algo que estou precisando bastante. É uma busca constante, deve ser trabalhada com muita consciência, respeito e dedicação. Eu chego lá, assim espero, e tentarei.

> Ouvindo: Unidade Imaginária